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Murillo Jorge

Jornalista e apaixonado por música desde sempre. Flerta com cinema e cultura em geral. Ouve muito mais música do que é recomendado.

Álbum da Semana - Babel (Mumford & Sons)

Segundo trabalho do grupo londrino é uma "releitura tradicional" do gênero folk. É agradável, consistente e marcante, sem perder a essência.


packshot2.jpg É muito bom quando vemos que uma banda manteve ou melhorou sem trabalho. É o caso de Mumford & Sons. O primeiro álbum "Sigh no More" fez estrondoso sucesso, principalmente depois que a faixa Little Lion Man caiu na graça dos fãs e da crítica. Aliás, todas as faixas daquele álbum são excelentes, é o caso de I gave you All, White Blank Page, Awake my Soul e por aí vai. Isso fez ressurgir nas paradas musicais um estilo que era pouco consumido até então. Pode parecer que estou andando em círculos no começo deste post, mas logo tudo ficará claro. Vou começar com um exemplo de uma banda do gênero que fez estrondoso sucesso no primeiro trabalho: Fanfarlo. O grupo emplacou um álbum debutante surpreendente. "The Pilot" é muito bonito, encantador, simples e honesto. Mas aí surge a sina do segundo álbum: seria tão bom quanto o primeiro? Houve um hiato de alguns anos, o trabalho foi lançado neste ano e... Foi terrível. Muito abaixo das expectativas e fraco em relação ao seu antecessor. Não só a mídia não gostou, como os fãs, como eu, também não.

O exemplo de Fanfarlo só foi tomado porque o grupo não rendeu o que se esperava. Não é o caso de Laura Marling, também do gênero, que segue fazendo bonito em seus trabalhos e mantendo a qualidade. Quero dizer que é neste ponto que diferenciamos uma banda/artista que se preparou corretamente e que não se perdeu nas criações. É o famoso “gastar todas as energias e um trabalho só” e depois disso não produzir mais nada tão bom quanto. Todos nós sabemos que fazer um álbum é trabalhoso, e não é de uma hora para outra que surgem dez faixas que tenham relação, sejam musicalmente boas, com melodias marcantes e letras bonitas. Mas Mumford fez diferente. "Babel" é ainda melhor do que "Sigh no More". Não ouve alteração de estilo, apesar de o banjo estar ainda mais marcante nas quinze faixas, mas a qualidade não só se manteve como foi melhorada. O marasmo inicial das músicas é cativante, então, como num estrondo, as músicas crescem e ganham potência com a voz de Marcus Mumford. O álbum já começa de modo especial. A faixa homônima ao segundo trabalho começa vibrante e é muito mais do que uma abertura ou cartão de visitas. É uma prévia de que o que está por vir será ainda melhor. São doze faixas, com três bônus, totalizando quinze, mas elenco I Will Wait, Holland Road, Ghost that We Know, Love of the Light, Lovers Eyes, Hopelless Wanderer (a melhor faixa, para mim) e Where are you Now (que fecha Babel com maestria). O ponto que quero enfatizar é simples: "Babel" é muito parecido com o trabalho antecessor, mas é melhor. Fica claro que o grupo londrino evoluiu, e não foi pouco, de um trabalho para outro. O número de faixas é maior do que no álbum anterior, cinco a mais, mas tudo corre tão bem durante os 52 minutos que não há cansaço quando termina a última faixa. Pelo contrário. Você quer ouvir mais e mais e mais. Não é por acaso que o trabalho, lançado em 24 de setembro deste ano, está no topo de pelo menos quatorze paradas de sucesso por todo mundo, incluindo UK Albums Chart e US Billboard 200. É incrível perceber que um estilo tão tradicional, como é o caso do folk, pode seguir encantando. E o melhor: sendo melhorado, sem fugir das origens. Tudo está lá: o banjo, as vozes sobrepostas e as melodias bucólicas e melancólicas, mas passados de um modo fresco e marcante. O grupo não só quebrou um “estigma” sobre o segundo álbum, como conseguiu garantir um lugar de respeito no topo das paradas e provar que não é uma banda de um álbum só, ou pior: de algumas músicas, como é comum de se ver nos dias de hoje. O resultado final, é uma releitura do folk. Uma releitura sem perder a essência. É um trabalho que prova o valor de um grupo e de um gênero que parecia esquecido, e que ganhou força nos últimos anos com representantes talentosos e “tradicionalmente inovadores”.


Murillo Jorge

Jornalista e apaixonado por música desde sempre. Flerta com cinema e cultura em geral. Ouve muito mais música do que é recomendado..
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