os álbuns nossos de cada dia

Tudo que ouço, me identifico, consumo e admiro; transformado de música para palavra

Murillo Jorge

Jornalista e apaixonado por música desde sempre. Flerta com cinema e cultura em geral. Ouve muito mais música do que é recomendado.

Álbum da Semana - Suck it and See (Arctic Monkeys)

O grupo liderado por Alex Turner passou por diversas transformações para chegar ao lugar que chegou hoje. Arctic Monkeys, além do maior representante da música Indie, é uma banda que soube lidar com a fama e evoluir a cada trabalho. Mesmo que evoluir, neste caso, seja mudar completamente.


arctic-monkeys-suck-it-and-see.jpg Artic Monkeys foi um grupo que sofreu alterações significantes desde seu início. Os garotos de Sheffield deixaram de ser possuir um som puramente enérgico, dançante e marcado, para viver um lado mais trabalhado, lento e poético. As diferenças são marcantes e fáceis de serem constatadas. Primeiro ouça os dois primeiros álbuns. “Whatever people say I am, that’s what I'm not” é ágil. As canções passam a impressão de serem gritas por Alex, que tocava ainda com um suéter puído, usava tênis velho e era tímido. Como não esquecer da fala “We’re the Arctic Monkeys and this is “I Bet you Look Good and on the Dancefloor"”? A faixa, junto com “Dancing Shoes”, “Mardy Bum”, “Fake Tales of San Francisco” e “When the Sun goes out” trouxe notoriedade e muitos prêmios ao grupo. O som explodiu nas rádios britânicas, trouxe fama e ganhou o mundo.

O sucesso foi avassalador e garantiu topo das paradas e destaques como álbum do ano, grupo do ano e tudo que se pode imaginar. Foi tão rápido quanto o ritmo das músicas. O gênero Indie surgia com seu maior representante e na sua melhor forma. Artic Monkeys foi a essência e o pioneirismo. E "Favourite Worst Nightmare" veio logo em seguida. Faixas como “Brainstorm”, “Teddy Picker”, “Balaclava”, “Fluorescent Adolescent”, “Do me a favour” e “Old Yellow Bricks” garantiram o topo e comprovaram que o grupo merecia toda a fama e eram detentores de um estilo diferenciado: era um som comercial e ao mesmo tempo de qualidade. No mesmo álbum ouvimos “505”. O som é muito diferente do que já havia sido apresentado anteriormente e um sinal positivo do que estava por vir. O terceiro álbum demorou dois anos para ser lançado e os fãs ficaram ansiosos. Na primeira faixa vem a surpresa: “My Propeller” é uma excelente faixa, assim como “Crying Lightning”, “Fire and the Thud” e “Dance Little Liar”, mas não era mais o mesmo estilo que o grupo carregava antes. O mais marcante foi que o álbum é tão bom quanto os outros, mesmo sendo musicalmente diferente. Só um grupo com qualidade poderia se transformar, fisicamente e musicalmente, e seguir sendo genial. Além disso, o pequeno hiato fez com que adquirissem uma identidade musical. Foi uma passagem de um grupo de garotos, para um grupo de homens. E homens ainda mais famosos e premiados. Todas essas mudanças são reflexo do que Artic Monkeys é hoje. É importante que seja explicado, porque fazem sentido. Não houve “venda de almas” ou perda de qualidade. O grupo seguiu e segue crescendo por ser bom. “Suck it and See” é o quarto álbum e segue a mesma linha de seu anterior. Segundo os próprios membros, foi mais desafiador. O motivo deve ser as músicas com letras bonitas e ainda mais trabalhadas. “She’s Thunderstorm” e “Black Treacle” são uma excelente abertura. As melodias se encaixam perfeitamente com a letras. São delicadas e simples. “The Hellcat Spangled Shalalala”, “Reckless Serenade”, “Suck and See” e “Piledriver Waltz” são faixas muito bem elaboradas e encaixadas. Além disso, é impossível não associar Piledriver ao filme Submarine, que teve a trilha elaborada por Alex. Filme, que por sua vez, também é muito bom. Parecido até com a essência de Suck it and See. Os pontos baixos do trabalho são “Brick by Brick” e “Don’t sit down ‘cause I’ve moved your chair”. Além de excessivamente lentas, destoam de qualidade do álbum. O engraçado é que ambas receberam um maior destaque pela mídia. Suck and See tem faixas muito melhores. É um trabalho leve e bonito. Muitos até podem considerá-lo mais lento do que deveria, mas basta dar um pouco mais de tempo para desvendá-lo e mudar de opinião. Ele é marca de um grupo que evoluiu sim, em todos os sentidos. É também a marca de um compositor que se esforçou, deu seu melhor em todos os trabalhos e mudou com seus companheiros. Algumas bandas passam por pequenas mudanças e outras são reformuladas completamente, mas são poucos os grupos que crescem e evoluem junto com sua música. E no caso de Artic Monkeys, isso pode ser tomado literalmente.


Murillo Jorge

Jornalista e apaixonado por música desde sempre. Flerta com cinema e cultura em geral. Ouve muito mais música do que é recomendado..
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