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Murillo Jorge

Jornalista e apaixonado por música desde sempre. Flerta com cinema e cultura em geral. Ouve muito mais música do que é recomendado.

Álbum da Semana - El Camino (The Black Keys)

El Camino é uma grande e rápida mistura. The Black Keys investe no refrão forte e cativa pela objetividade e energia de seu sétimo álbum.


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Alguns sons demoram certo tempo para nos encantar. Muitas vezes é necessário que o álbum seja ouvido repetida vezes para que traga alguma mensagem boa e faça com que nos identifiquemos.

Por outro lado, a sensação é incrível quando nos deparamos com um som/estilo que nos agrada imediatamente. Foi o que me aconteceu com o álbum El Camino, da dupla The Black Keys.

Como o mundo da música não é feito apenas de uma estrada ou um continente, por nossas andanças deixamos algumas coisas passarem sem percebermos ou até demoramos certo tempo para que aquele som “acidentalmente” cruze conosco e peça carona.

Sendo mais direto e sincero, foi “Little Black Submarines” que me atingiu de modo certeiro. Por uma das andanças musicais, encontrei o vídeo da faixa que compõe o último EP do álbum, lançado em 8 de outubro deste ano.

Daí então surge o receio: será que todas as faixas estão no mesmo nível e são tão agradáveis quanto? E é justamente isso que torna El Camino um álbum tão bom. A grande mistura do blues rock, com o punk de garagem, indie e rock alternativo ganham uma forma consistente ao gênero criado.

Além disso, o sétimo álbum de estúdio é veloz, nervoso e direto. São pouco mais que 38 minutos de um som contagiante e refrães poderosos que ficam na cabeça.

Todas as 11 faixas são muito bem selecionadas e ordenadas. A abertura com “Lonely Boy” é mais do que satisfatória e um ótimo cartão de visitas; uma prévia do que está por vir. Destaque para “Dead and Gone”, que segue o mesmo nível e estilo: a fórmula desta vez faz aliança com bateria de Patrick Carney. Destaque também para “Gold and the Ceiling” e o “rock eletrônico”.

A faixa cinco estrelas é “Little Black Submarines”. Com letra bem trabalhada, ela começa lenta e melancólica e cresce da metade para o fim. Desde o solo de guitarra até o final abrupto, a quarta faixa passa toda a energia de El Camino.

“Sister” e “Stop Stop” são outras faixas interessantes e que merecem destaque. Têm um ritmo mais dançante interagindo com o rock, trazendo mais outra mistura agradável.

El Camino é uma grande experiência que une um rock puro e suas diversas vertentes, com outros gêneros. Além disso, é um álbum que tem uma característica interessante: todas as faixas prazam e têm nos refrães seus pontos mais altos e cativantes.

Além de ser uma marca registrada é um outro modo de atrair atenção e se destacar no cenário musical, que infelizmente conta com sons tão pouco contagiantes e "receitas de sucesso" mais do que conhecidas e repetidas.

No final das contas, o trabalho da dupla The Black Keys é uma nova visão quando se envolve ousadia e simplicidade, sem exageros. É parada obrigatória (e longa) nestes tantos caminos da música.


Murillo Jorge

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