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Murillo Jorge

Jornalista e apaixonado por música desde sempre. Flerta com cinema e cultura em geral. Ouve muito mais música do que é recomendado.

Álbum da Semana - Parachutes (Coldplay)

Primeiro trabalho do grupo usou como base um tema comum, mas acertou em retratá-lo com simplicidade e sentimento.


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Coldplay sempre foi conhecido por suas letras delicadas e melodias trabalhadas. Mas tudo na carreira de um banda tem um começo. Em Parachutes, o primeiro álbum do grupo, ficava claro que essas características seriam marcas registradas pelo grupo liderado por Chris Martin e fariam parte de sua essência.

Todas as faixas do trabalho são sentimentais. Falam de amor, em sua grande maioria, mas de modos diferentes. A grande missão enfrentada pelo grupo foi transitar basicamente pelo mesmo tema, mas de modos diferentes. E isso foi feito de um modo tão natural e bem feito que sequer notamos que o álbum enfoca um assunto tão recorrente, principalmente no mundo musical.

Foi aí que o grupo ganhou seu destaque. Falou de um sentimento que é mais do que conhecido e já foi base de inúmeras produções, mas não do modo que foi trabalhado em Parachutes. O grande mérito foi apostar na simplicidade.

Melodicamente, as canções trazem um ar melancólico e simplório, como um namorado que canta para seu amor ou um homem de coração partido que tem seu violão como melhor amigo. Sendo assim, o álbum te transporta para um mundo tranquilo e calmo, porém, triste.

Outro ponto que merece destaque é o fato de todas as músicas poderem ser cantadas por qualquer um. Não digo isso para tirar o mérito de Chris Martin. É que todos nós sabemos o quanto é maravilhoso ouvir um álbum e poder cantá-lo. Parece que podemos senti-lo de modo verdadeiro e fazer parte dele.

Todos esses fatores fizeram com que o álbum debutante do grupo inglês caísse nas graças da mídia e do público. Foram quatro singles que estouraram nas rádios, ganharam prêmios, elogios da crítica e colocaram o Coldplay como um dos grandes representantes do rock alternativo.

Por ser leve e de curta duração, é difícil encontrar algum erro entre as dez faixas (incluindo uma faixa escondida) contidas no trabalho. Desde seu início com “Don’t Panic”, passando por “Shiver”, “Yellow”, “Trouble” e “High Speed”, o álbum oscila entre íntimo e o sentimental. O conjunto da obra traz uma apresentação bonita e agradável sobre o sentimento mais universal.

A aposta de falar de um assunto tão recorrente foi arriscada, mas ninguém esperava que o grupo fizesse um trabalho tão bem feito. O resultado final apenas mostrou que não há clichês na música quando a proposta é a transparência dos sentimentos. Com todos os ingredientes apresentados, fica impossível definir Parachutes apenas como um álbum romântico e para apaixonados.

É mais correto dizer que a música é ainda melhor quando nos soa verdadeira.


Murillo Jorge

Jornalista e apaixonado por música desde sempre. Flerta com cinema e cultura em geral. Ouve muito mais música do que é recomendado..
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