os álbuns nossos de cada dia

Tudo que ouço, me identifico, consumo e admiro; transformado de música para palavra

Murillo Jorge

Jornalista e apaixonado por música desde sempre. Flerta com cinema e cultura em geral. Ouve muito mais música do que é recomendado.

Álbum da Semana - Celebration Rock (Japandroids)

Dupla promove uma celebração que contagia pela simplicidade e pela energia das faixas.


Japandroids_COVER-ART.jpg

Falta um pouco de energia nas músicas de hoje. Aquela vontade de cantar e tocar anda um pouco em falta em alguns cantores/grupos. E é realmente de se impressionar quando surge um álbum tão enérgico, vívido e ao mesmo tempo simples, como Celebration Rock, do Japandroids.

O trabalho foi uma grata surpresa para mim por diversos motivos. Como citado acima, o tom das canções, as letras, melodias e refrães cantados em diversas vozes justificam o nome como “celebração”. O trabalho soa como se cada ouvinte tivesse participação direta nas músicas e no álbum.

japandroids-11.jpg

São muitos “aaaa’s” e “oooo’s” espalhados pelas faixas e que têm o poder de fazer com que você queira subir no palco, agarrar o microfone e cantar para a multidão. Esse é o conceito que é passado pelo trabalho: um som coletivo que, apesar de ser feito para um público aparentemente mais jovem, que aprecia o gênero indie (que sem dúvida poderia passar por uma releitura depois de Celebration), cheio de sonhos e louco para viver a vida, se expande a todos.

O trabalho é o terceiro da dupla, se levarmos em conta o lançamento do álbum/EP, e mostra uma fórmula criativa desenvolvida por Brian King e David Prowse de se fazer música simples, sem muitas variações melódicas, mas que garante a essência musical do Japandroids. Acredito que é melhor desenvolver um trabalho uniforme, como é o caso de "Celebration Rock", do que se perder em um trabalho retalhado e sem identidade.

japandroids-drums-on-fire1.jpg

Outro ponto que deve ser comentado é a quantidade de faixas e suas durações. Totalizando 35 minutos e dividido em oito faixas o álbum é direto e reto. Apesar da longa duração das faixas, o ritmo é tão veloz que quase não notamos o tempo passar.

Destaco “The House That Heaven Built” como a grande joia, mas todas as faixas têm grande valor. É sensacional, podendo ser colocada em letras garrafais. Impecável pela sua letra, refrão e melodia.

Além dela, “The Night of Wine and Roses” merece destaque. É, sem dúvida, uma ótima faixa para abrir um álbum. Alguns recursos usados no início dão um significado até mesmo conceitual para a música. É encantador.

Logo na sequência vem “Fire’s Highway” que mantém o álbum no topo. Também peço uma atenção especial para a faixa, que corre o risco de passar sem ser notada depois da boa impressão que deixa a faixa anterior.

japandroids_Crop1_big.jpeg

“Evil’s Sway”, “Adrenaline Nightshift” e “Younger Us” são mais do que um preenchimento do álbum, que também conta com um cover de The Gun Club. Mantém o mesmo estilo das outras, trazendo uma uniformidade ao trabalho.

“Continuous Thunder” é a faixa de encerramento. Tem um tom realmente de despedida. É mais lenta do que as outras e é um ótimo fechamento.

“Celebration Rock” é consistente e continuo. Se te agradar na primeira faixa, vai te encantar até seu final porque não oscila e pouco varia. Características que não o tornam obrigatoriamente ruim. Muito pelo contrário.

E ao som dos fogos de artifício, no início e no final, você percebe que acaba de participar de uma grande festa, uma comemoração. Basta agora admitir que as músicas escolhidas foram realmente muito boas.


Murillo Jorge

Jornalista e apaixonado por música desde sempre. Flerta com cinema e cultura em geral. Ouve muito mais música do que é recomendado..
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/Japandroids// //Murillo Jorge