os filhos de eva

Sobre aquelas odisseias onde eles se envolveram

Eva Coelho Díaz

"Quem falou que a boca é tua?". Quem falou, estava certo

POESIA DE CORPO E ALMA

Uma Venezuela dividida por ideologias políticas abriu espaço para que a poesia e a fotografia se tornassem na voz da reunificação. Dira Martinez Mendoza utilizou o corpo humano como plataforma para que a poesia pudesse servir como lugar comum entre os indivíduos que, outrora, sentiam de perto a fraternidade de uma nação. Preocupada ainda com o alcance da poesia, procurou abordar a mesma como algo que faz parte da rotina das pessoas e que, por isso, não é alheia a ninguém.


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Apesar do seu gosto antigo pela poesia, Dira, de certa maneira, procura nela um refúgio nestes tempos difíceis que vive o país. Formada em Estudos Internacionais, acabou por ser proibida de exercer a sua profissão por razões políticas, assim como de sair do país devido a uma medida cautelar que lhe foi imposta, para não falar do fato de ter cinco anos que não vê o pai por ser um exilado político, e os irmãos, que têm proibição de entrar no país. Posto isto, Dira sente-se muito alentada por difundir que as ideologias dividem o Homem, e que a poesia pode ser um meio para gerar espaços para a tolerância e o respeito.

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“Passageiros em trânsito” é o tema da iniciativa de “intervir corpos”, que consiste em promover a ideia da impermanência das emoções, das situações e do nosso transitório passo pela vida. Para Dira, assim como para as pessoas que prestaram a sua pele, a poesia faz parte do dia-a-dia de todos e cada poema escrito corresponde a um sentimento que pode ser momentâneo. Mas a interação entre a poetisa e a pessoa intervinda não se deve só a esta concordância com a efemeridade dos sentimentos, mas também ao desejo de encontrar uma aproximação com outro e sentir que são mais as coisas que os unem das que os separam, sobretudo num contexto de divisão política que se faz sentir em todos os níveis da vida do país. Procura-se, portanto, estabelecer uma ponte de encontros, tanto externo como interno, construir um diálogo de sentimentos e desejos comuns e, ao mesmo tempo, desconstruir a estrutura onde são escritos os poemas, visto que Dira tira o poema das páginas para leva-lo ao corpo, transformando-o noutra expressão da poesia.

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Eva Coelho Díaz

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