outras palavras

História, cinema e música... Não necessariamente nessa ordem, ou nesse mundo!

Yuri Pires

Poeta nas horas vivas, estudante nas horas vagas, professor de português nas horas pagas. Autor de O Homem e o Seu Tempo (Chiado Editora, 2014). Atualmente no exercício de aprender a ser pedra.

Coeur de Pirate é para ser escutada de olhos bem fechados

A cantora canadense Béatrice Martin, cujo nome artístico é Coeur de Pirate, tem a musicalidade singela e penetrante que caracteriza grandes cantoras. Saída recentemente das fronteiras francófonas, Béatrice tem ganho cada vez mais admiradores ao redor do mundo, que mesmo sem entender suas letras apenas com a audição, se vêem invadidos pela sua voz de veludo!


coeurdepirate600big.jpg

Uma pequena loira, com os braços cobertos por tatuagens coloridas, um olhar baixo, misto de timidez e pouca vivência de palco, aproxima-se de um piano de calda, longo, preto e imponente. Não seria condenável que a maioria dos espectadores, desconhecendo a moça, pensasse: “lá vem mais uma caloura, produzida pelas gravadoras para ser amada pelos jovens e esquecida na mesma meteórica velocidade que foi alçada a celebridade.” De fato é o que parece à primeira e superficial vista.

Mas esta primeira impressão não resiste aos primeiros acordes e timbres altissonantes de Béatrice Martin, mais conhecida como Coeur de Pirate (Coração de Pirata em tradução livre ao português). Béatrice causa simpatia pela sua beleza recatada, mas Coeur de Pirate causa furor mesmo é quando solta a voz, com as mãos no piano, e penetra fundo naquela parte do cérebro que todos nós possuímos, e que é responsável por nos deixar boquiabertos quando vemos genialidades em ação. Essa canadense de 24 anos, nascida em Québec (antiga colônia francesa na América do Norte), ganhou o prêmio de revelação do ano de 2009 com o disco Coeur de Pirate, lançado no ano anterior.

Apesar da aparência delicada, Béatrice é dona de uma maturidade musical apurada. Sua música transita entre o pop britânico e a música Indie, e seu timbre faz lembrar as grandes cantoras da black music, sendo o seu estilo único no gênero. Apesar das letras que relatam, não de forma muito profunda, as experiências do cotidiano de uma jovem de 24 anos, seus amores, suas dúvidas, seus medos, Béatrice conduz sua carreira de maneira altiva e independente. Em julho de 2009, o tablóide Le Soleil divulgou, em tom de denúncia, que ela havia posado nua para um sítio eletrônico pornográfico, ao que ela, sem muito abalo, respondeu em sua conta do Twitter, contando que aquelas fotos eram conhecidas de seus seguidores, e não via motivos para o alarde. Mais tarde, em uma entrevista para a TV francesa, disse tratar-se de um erro adolescente. Por tratar o assunto de frente, sem sensacionalismo ou subterfúgios moralistas, Béatrice ganhou mais admiradores e respeito.

Coeur de Pirate tem dois discos lançados, e um vídeo de pouco mais de meia hora no sítio Youtube.com que tem ganho cada vez mais elogios da crítica especializada, além de visualizações de um público cada vez mais amplo e cada vez mais multinacional. Coeur de Pirate (2008) e Blonde (2011) são viciantes, grudam nos ouvidos e acariciam os sentidos, seja pelos acordes harmoniosos dos dedos de Béatrice, seja pelo veludo de sua voz.

Escrever sobre música é daquelas ações em que menos é mais. Quanto menos letras e quanto mais acordes e sons, melhor. Então, fiquem com o vídeo de Coeur de Pirate que a levou para fora das fronteiras francófonas...


Yuri Pires

Poeta nas horas vivas, estudante nas horas vagas, professor de português nas horas pagas. Autor de O Homem e o Seu Tempo (Chiado Editora, 2014). Atualmente no exercício de aprender a ser pedra..
Saiba como escrever na obvious.
version 2/s/musica// @destaque, @obvious //Yuri Pires