outras palavras

História, cinema e música... Não necessariamente nessa ordem, ou nesse mundo!

Yuri Pires

Poeta nas horas vivas, estudante nas horas vagas, professor de português nas horas pagas. Autor de O Homem e o Seu Tempo (Chiado Editora, 2014). Atualmente no exercício de aprender a ser pedra.

Como você trata o diferente?

No vídeo "Don't Look Down on Me", um homem portador de nanismo, com uma câmera escondida, gravou cenas de seu cotidiano. Com essa atitude, nos joga na cara todos os nossos pequenos atos que tornam mais difíceis os dias daqueles que consideramos diferentes.


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A curiosidade é a mãe de todas as invenções. Tem significativa parcela de responsabilidade no desenvolvimento tecnológico e social das sociedades humanas. Entretanto, é necessário impor limites a própria curiosidade, principalmente quando trata-se de curiosidade sobre a vida e os hábitos de outros seres humanos.

Na sociedade do espetáculo, em que vivemos, tudo é motivo de espanto e espalhafato, e muitas vezes, inconveniência. Foi por ser incomodado insistentemente que Jonathan Novick, um portador de nanismo residente em Nova York, decidiu filmar um documentário com algumas cenas de seu cotidiano. O tipo de nanismo de Jonathan é o mais comum, e é denominado de acondroplasia. Ocorre em 1 de cada 15 mil recém-nascidos, e caracteriza-se por membros curtos para um tronco de tamanho médio, além de outras especificidades.

Importunado por muitas pessoas em seu cotidiano, com fotos e filmagens não-autorizadas, além de gracejos e grosserias, Jonathan, que é documentarista, escondeu uma câmera na camisa e nos mostrou como somos invasivos com aqueles que consideramos diferentes. Novick alerta, inclusive, para pequenos atos, não perceptíveis, que fazem muita diferença.

O resultado é impressionante. Em pouco mais de seis minutos, ele nos faz repensar, e muito, o nosso trato com os que nos circundam. E conclui com a seguinte frase: "A próxima vez que você encontrar alguém diferente de você, pense em seu cotidiano. Pense em todos os eventos que o fizeram chegar até lá e pense no seu dia; pense: qual parte de seu dia você quer ser?

P.s.: Infelizmente não encontrei o vídeo traduzido. Quem encontrar, ou puder fazê-lo, será de grande utilidade!

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Yuri Pires

Poeta nas horas vivas, estudante nas horas vagas, professor de português nas horas pagas. Autor de O Homem e o Seu Tempo (Chiado Editora, 2014). Atualmente no exercício de aprender a ser pedra..
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