outras palavras

História, cinema e música... Não necessariamente nessa ordem, ou nesse mundo!

Yuri Pires

Poeta nas horas vivas, estudante nas horas vagas, professor de português nas horas pagas. Autor de O Homem e o Seu Tempo (Chiado Editora, 2014). Atualmente no exercício de aprender a ser pedra.

Porque continuar escrevendo em 2015?

Essa é uma pergunta que tenho escutado bastante, há algum tempo. Como não sou imune a opinião alheia, também me pergunto isto com certa frequência. Vou responder...


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Há quem escreva por profissão, outros escrevem por obrigação, e outros ainda apenas para sentirem-se vivos. Há quem escreva para exorcizar demônios, seus e alheios, ou demônios comuns a nós todos. Eu escrevo opiniões por dúvida, e a interação com os que leem me resolve algumas, me cria outras, instiga a imaginação e o raciocínio; quando escrevo literatura, o faço por curiosidade: fico curiosíssimo para saber como começa, e principalmente como se desenrola, as estórias, contos e romances que minha imaginação traz à superfície.

Este ano escrevi sobre muitíssimas coisas. Iniciei este espaço aqui no Obvious escrevendo, no dia 6 de janeiro, sobre a cantora canadense Coeur de Pirate, cujo trabalho acompanho de perto, e admiro. Crimes de ódio na internet, crimes de intolerância, filmes, literatura, meti o meu bedelho em tudo que quis. Algumas escrevinhações me deram muitas alegrias, como foi o caso da opinião que emiti sobre o álbum Mil Coisas da carioca Clara Valente: fui convidado para um show, trocamos ideias e impressões sobre música e arte. Foi massa! Também quando escrevi sobre o curta-metragem A Rua é Pública, do cineasta Anderson Lima, que foi convidado para apresentar o filme em uma mostra internacional a partir do meu texto. Fiquei muito feliz!

Também em outros espaços, como o site Trechos de Livros e o meu blog pessoal Psilone, me deram alegrias em 2014. No primeiro eu escrevi uma resenha sobre o livro O Pintassilgo, de Donna Tartt, que foi compartilhado pela própria editora (Companhia das Letras) em sua rede de mídia social, e por conta do segundo (encerrei as atividades lá em novembro) obtive um espaço em La Parola, onde escrevo minhas opiniões desde então.

O ano de 2014 me pariu enquanto escritor. Foi durante este ano, em meio a suas desditas e maledicências, que decidi tornar público o passatempo que carrego desde a adolescência: escrever. Me pariu banguelo e nu, mas aos poucos sinto que estou me aperfeiçoando, polindo e lapidando, me reconhecendo em cada leitura e releitura que leio em comentários, compartilhamentos, críticas e opiniões contrárias. Mesmo os poeminhas que escrevo, absolutamente por hobbie, foram selecionados para coletâneas, e foram reconhecidos por leitores que também escrevem, o que foi ótimo.

Mas o que é de um escriba sem leitores e leitoras? Absolutamente nada. É nos outros que o escritor se reconhece, é nas opiniões e ditos sobre as escrevinhações que publico que reconheço-me autor, digno de leitura. Portanto, há diversos motivos pelos quais vale a pena continuar escrevendo em 2015, mas um motivo é – digo sem medo de ser piegas, e já sendo – mais importante: você que está lendo! Muito obrigado, nos lemos em breve, em janeiro de 2015!

Feliz festividades!


Yuri Pires

Poeta nas horas vivas, estudante nas horas vagas, professor de português nas horas pagas. Autor de O Homem e o Seu Tempo (Chiado Editora, 2014). Atualmente no exercício de aprender a ser pedra..
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