Pablo R. Bazarello

Publicitário, Crítico e cinéfilo entusiasta. Do tipo que sempre tira algo de bom de um filme. Mesmo que seja o sapato de um coadjuvante que aparece por 2 minutos.

NA ESTRADA, O FILME - UMA OBRA QUE DIVIDE OPINIÕES

Finalmente chega "NA ESTRADA", projeto dos sonhos de Francis Ford Coppola


On The Road Movie (2)-2.jpgBaseado no romance, de certa forma revolucionário, de Jack Kerouac sobre a geração beat, “Na Estrada” foi escrito na década de 60, e teve os direitos cinematográficos adquiridos pelo icônico Francis Ford Coppola (diretor da trilogia “O Poderoso Chefão” e “Apocalypse Now”). Há décadas em desenvolvimento, “Na Estrada”, o filme, começou a tomar forma quando Coppola escolheu a dedo para comandar a obra, o cineasta brasileiro Walter Salles, diretor do indicado ao Oscar de filme estrangeiro “Central do Brasil”, “Diários de Motocicleta”, que já havia molhado os pés no cinema Hollywoodiano em 2005, com a obra de terror protagonizada por Jennifer Connelly, “Água Negra”.

O livro de Kerouac é cultuado até hoje como um dos maiores expoentes da geração que retrada, que consistia em artistas, ou aspirantes a poetas, músicos e escritores ganharem suas inspirações através de experiências pessoais que envolviam longas viagens pelo país, ou até mesmo fora dele, regadas a bebida, drogas, muito sexo e música, ainda nos anos 40. De forma semi-biográfica Keuroac assume a persona de Sal Paradise, escritor novato que após a morte do pai vive experiências divisoras em sua vida.

on-the-road-movie-image-sam-riley-garrett-hedlund.jpgNo filme Paradise é vivido pelo novato Sam Riley (de “Control”, biografia do vocalista da banda Joy Division, Ian Curtis). Riley está ótimo em “Na Estrada”, o jovem ator de 32 anos consegue chamar atenção, sem chamar atenção para sua performance, toda levada de forma minimalista, como se o objetivo fosse realmente servir como “os olhos da plateia”, o personagem que assiste tudo de fora, mesmo participando da ação. Outras atuações desde já elogiadas são as dos outros dois artistas que servem como parte do trio de protagonistas, Garrett Hedlund e Kristen Stewart.

Hedlund, jovem ator promissor de filmes como “Tróia” e “Tron – O Legado”, fica com o personagem mais difícil, o envolvente e carismático Dean Moriarty, que serve de propulsor para as experiências vividas por Kerouac, ou melhor, Sal Paradise. O relacionamento entre Paradise e Moriarty em muito se assemelha ao mostrado no excelente “O Talentoso Ripley”, de Anthony Minguella, aonde o boêmio Dickie Greenleaf, vivido por Jude Law, cativava e depois abandonava com a mesma facilidade todos os que entravam em sua vida. O Moriarty de Hedlund é o sujeito “louco pela vida” citado pelo texto do livro.

On The Road Movie (1).jpgE Kristen Stewart, a eterna mocinha de filmes como “Crepúsculo” e “Branca de Neve e o Caçador”, que ousa bastante aqui não apenas em cenas de nudez ou sexo, mas sim nas escolhas que faz para sua performance como a perdida Marylou, uma menina de 16 anos, que serve como joguete da dupla de protagonistas. “Na Estrada” não é um filme perfeito, e está longe disso. Quando foi exibido no Festival de Cannes, em maio desse ano, dividiu as opiniões de especialistas no que é considerado o Festival de cinema mais influente e importante do mundo.

Coisa que eu tenho certeza que continuará acontecendo inclusive aqui no Brasil, país de origem do diretor. A tradução de um livro que é considerado quintessencial para toda uma geração, para as telas de cinema era uma tarefa bem difícil para dizer no mínimo, e a direção de Salles consegue transpor acima de qualquer outra coisa o sentimento de irmos junto com os personagens nessa jornada, transcendendo ser apenas um filme. Embora o elogio, de início “Na Estrada” é de difícil acesso e identificação, parte disso se deve aos closes excessivos de Salles.

filme-on-the-road-original.jpegE parte se deve ao roteiro escrito pelo porto-riquenho Jose Rivera, colaborador de Salles também em “Diários de Motocicleta”, que acelera inicialmente para depois cair em certa repetição, passando por momentos que não poderiam ficar de fora sem dar devida importância. Isso se traduz nas participações no estilo “piscou perdeu” de grande parte do elenco de nomes de peso que a obra traz. Gente do nível de Viggo Mortensen, que interpreta o poeta Old Bull Lee, e que segundo relatos do próprio Salles, colaborou bastante com a obra não apenas como ator.

Amy Adams, Terrence Howard, Kirsten Dusnt, Steve Buscemi e a brasileira Alice Braga se amontoam na tela, alguns com um pouco mais de atenção, mas em geral apenas pincelando eventos de forma rápida. Com 140 minutos de projeção, a nova obra de Walter Saller por vezes, como citado, parece não ser objetiva, mesmo com o propósito de servir mais como experiência do que como um filme convencional. Todo filme precisa dialogar conosco, e “Na Estrada”, um projeto regado a drogas, e banhado a sexo (de forma excessiva – o que garantiria uma censura 18 anos, e não a equivocada de 16), pode repelir grande parte do público não familiarizado com as características do movimento apresentado.


Pablo R. Bazarello

Publicitário, Crítico e cinéfilo entusiasta. Do tipo que sempre tira algo de bom de um filme. Mesmo que seja o sapato de um coadjuvante que aparece por 2 minutos..
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