Pablo R. Bazarello

Publicitário, Crítico e cinéfilo entusiasta. Do tipo que sempre tira algo de bom de um filme. Mesmo que seja o sapato de um coadjuvante que aparece por 2 minutos.

O VINGADOR DO FUTURO - UMA NOVA ROUPAGEM PARA UM CULT MODERNO

Já sonhou em ter outra vida? Em ser outra pessoa? Ter outro emprego ou outra esposa? No futuro você pode, é o que propõe a empresa Rekall, que fabrica sonhos artificiais bem próximos da realidade. E é o que nos apresenta a nova versão do conto de Phillip K. Dick, que já havia virado um filme em 1990, dirigido por Paul Verhoeven e protagonizado por Arnold Schwarzenegger e Sharon Stone.


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Para quem viveu fora do planeta Terra (sem nenhum trocadilho intencional) nos últimos 22 anos, “O Vingador do Futuro” é um filme de ficção científica e ação extremamente popular de 1990, dirigido por Paul “Robocop” Verhoeven, e protagonizado pelo musculoso austríaco Arnold Schwarzenegger.

Na verdade voltando ainda mais, o material original foi criado na espécie de um conto por Phillip K. Dick, um dos representantes máximos da literatura de ficção científica, e autor de obras que deram origem também a “Blade Runner” e “Minority Report”. E é baseado nesse conto e não no filme original, segundo os realizadores dizem (embora prestando muitas homenagens e replicando cenas do filme de Verhoen), que partiu a ideia de se produzir uma nova versão para a história. Fazer o remake de um filme pode ser uma ideia arriscada, fazer o de um filme adorado então quase nunca funciona.

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Colin Farrell é o protagonista da vez, na pele de Douglas Quaid, um operário que mora numa área pobre da cidade ao lado da esposa, e sonha com algo mais. Sua esposa é vivida pela mulher do diretor do filme na vida real, Kate Benckinsale. O personagem de Farrell então decide fugir de sua realidade mundana ao recorrer aos serviços da Rekall, empresa que fornece sonhos artificiais que mudam quem você é, aonde vive e o que faz através de um programa implantado em seu cérebro. Ao começarem o procedimento descobrem que o protagonista já possuía um implante na cabeça, e ao desativarem é que começa a trama onde o sujeito precisa descobrir quem verdadeiramente é.

Parece confuso? Não se preocupe, é muito pior. Não que isso vá importar também porque a certa altura de “O Vingador do Futuro” você apenas obversa os detalhes do mundo criado para esse futuro pelos realizadores, e as cenas de ação desenfreadas torcendo para que não se tornem cansativas. O diretor dessa nova versão é Len Wiseman, que tem no currículo os dois primeiros filmes da série “Anjos da Noite” (aonde conheceu a esposa Beckinsale – muitos dizem seu maior feito) e “Duro de Matar 4.0”.

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Visualmente o novo “O Vingador do Futuro” satisfaz. A direção de arte, o design dos sets (a maioria criados de verdade como afirmam os atores), tudo nos faz querer passar mais tempo apenas olhando cada um dos pequenos detalhes, que vão desde telefones embutidos nas mãos, passando pelos carros voadores, a um túnel que parece levar de um continente a outro. Tudo isso é de primeira no filme, e se fosse medido somente por tais fatores, a obra seria um primor. É realmente impecável no quesito. De certa forma o filme começa bem, nos dando o básico de desenvolvimento da trama para nos manter interessados.

E aí começam as cenas de ação que parecem acelerar gradualmente até chegarem à velocidade máxima e não frear mais. Igualmente muito bem realizadas são as sequências de luta, as cenas de ação em que o protagonista é perseguido e pula através de prédios e telhados, até chegar aos túneis com intermináveis elevadores, passando por uma perseguição de carros voadores. Parte até aonde podemos dizer que a obra prende com atenção máxima.

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O consagrado crítico de cinema americano Gene Siskel dizia que filmes de efeitos especiais de centenas de milhões de dólares são esperados terem uma qualidade visual boa, então por que simplesmente não se dedicam para igualar seu roteiro aos efeitos. É justamente quando começam a vir as explicações para a conclusão de “O Vingador do Futuro” que lembramos que realmente não nos importamos. Que a complexa e confusa trama, que parece ter muitos furos no roteiro, não faz muito sentido.

O filme perde o ritmo, e infelizmente se torna repetitivo e cansativo. Até as cenas de ação se tornam repetitivas nos últimos momentos, e o que temos são os personagens de Farrell e Jessica Biel (que interpreta a revolucionária Melina, verdadeiro amor do herói) pulando, pulando, e pulando. Alguns novos momentos de criatividade são pouco explorados, como a queda livre em gravidade zero de um elevador. Farrell é um bom ator, mas aqui realmente não possui muito o que fazer, assim como a bela Jessica Biel e os eficientes Bill Nighy e Bryan Cranston, presos a papéis secundários mal explorados. Quem se sai melhor é realmente Beckinsale, interpretando a primeira vilã de sua carreira. Ela é uma antagonista feroz e incansável, tão letal que desejamos que o filme fosse sobre ela.


Pablo R. Bazarello

Publicitário, Crítico e cinéfilo entusiasta. Do tipo que sempre tira algo de bom de um filme. Mesmo que seja o sapato de um coadjuvante que aparece por 2 minutos..
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