Pablo R. Bazarello

Publicitário, Crítico e cinéfilo entusiasta. Do tipo que sempre tira algo de bom de um filme. Mesmo que seja o sapato de um coadjuvante que aparece por 2 minutos.

PROCURA-SE UM AMIGO PARA O FIM DO MUNDO

O Apocalipse chegou. O fim do mundo está próximo. O que você faria se tivesse apenas alguns dias de vida, antes que a raça humana fosse extinta por um evento espacial avassalador. O excelente filme da diretora Lorene Scafaria, protagonizado por Steve Carell e Keira Knghtley, tenta responder essa e outras perguntas, numa obra igualmente doce e amarga.


seeking-a-friend-to-the-end-of-the-world-2012-bangkok.jpg

“Procura-se um Amigo para o Fim do Mundo” poderia entrar facilmente para o grupo de filmes com títulos estranhos e inusitados. Aqui, porém, o título combina com a essência de sua trama. O comediante Steve Carell protagoniza como Dodge, um sujeito mais ordinário impossível, que trabalha como vendedor de seguros, típico emprego para demonstrar personagens sem graça no cinema. Logo após o anúncio no rádio de que a última tentativa de impedir um grande corpo celeste de colidir com a Terra falhou, a humanidade se vê condenada.

E não é spoiler falar sobre o fato, pois além de ocorrer logo na primeira cena, esse é o tema central e sinopse do novo filme. O talento cômico de Carell, ao contrário de outros grandes nomes do humor americano como Will Ferrell, se mantém na linha da tragicomédia. Carell consegue imprimir ingenuidade e doçura na maioria de seus personagens, tanto em filmes voltados para um humor mais aguçado quanto em obras relativamente mais dramáticas. O comediante leva seu humor implícito, de forma mais minimalista.

17END1_SPAN-articleLarge.jpg

A obra foi escrita e dirigida pela jovem de trinta e quatro anos Lorene Scafaria, também cantora e atriz, é mais conhecida pela ótima adaptação para o cinema do livro “Nick & Norah: Uma Noite de Amor e Música”. Scafaria faz um excelente trabalho com seu roteiro original para essa obra, filmes como “Procura-se um Amigo...” deveriam ser incentivamos e apreciados, afinal uma coisa que cinéfilos e críticos sempre reclamam é da falta de criatividade e originalidade dentro do cinema americano. Novos talentos como o de Scafaria chegam para provar que a criatividade existe, só precisa ser reconhecida e incentivada.

seeking_610.jpg

Esse é o principal papel da imprensa do meio, apontar o inusitado, o novo, o criativo, o estranho. A diretora Scafaria cria um filme apocalíptico bem diferente dos “Armageddon” e “2012” da vida, aqui obviamente o enfoque é nos protagonistas que acompanhamos, e como eles veem e lidam com a situação catastrófica extrema. O humor típico do cinema independente se baseia mais nas situações vividas pelos personagens do que em galhofadas, e a criadora desenvolve cenas igualmente inusitadas, hilárias, tristes, e românticas.

725466704.jpg

Ao assistirmos “Procura-se um Amigo...”, inicialmente não temos a mínima ideia se a obra irá descambar para um tom mais dramático ou cômico, mas podemos dizer com convicção que a nova produção tem o êxito de ser as duas coisas. Esse é um dos grandes pontos positivos do filme, ser bem sucedido tanto como comédia quanto como um drama romântico. Desde já icônico, “Procura-se um Amigo...” faz lembrar produções como “Todo Mundo Quase Morto” (Shaun of the Dead) no sentido de que subverte um subgênero dando importância ao ponto de vista de pessoas comuns perante eventos de magnitude apocalíptica.

seeking-a-friend-for-the-end-of-the-world-3.jpeg

Na trama enquanto todos ao seu redor parecem desesperados e enlouquecidos pelo fim do mundo próximo, o protagonista de Steve Carell procura um sentido para sua expirada vida, embora tardiamente o sujeito decide que é hora de se reconectar com o passado. O tema apocalíptico do fim do mundo pode ter sido feito diversas vezes no cinema, mas nunca dessa forma. O jeito minimalista e calmo com que a obra é levada tendo como tema algo tão sufocante, desesperador e nervoso, é o contraste perfeito e o que faz de “Procura-se um Amigo...” um dos melhores filmes do ano.

70597342.jpg

A inglesinha indicada ao Oscar Keira Knightley coprotagoniza como a vizinha doidinha do personagem de Carell. Knightley mais acostumada a filmes de época, e dramas em geral, entrega um papel diferente, num filme inusitado em seu currículo, o que é mais um ponto positivo para a obra. “Procura-se um Amigo...” vai nos levando ao lado dos personagens por uma jornada, e no caminho nos apresentando todas as possibilidades que o roteiro explora ao encontrarmos diversos personagens, em pontas de atores como Derek Luke, Rob Corddry, Connie Britton, Melanie Lynskey, Patton Oswalt, William Petersen, T.J.Miller, e o veterano Martin Sheen.

seeking-a-friend-for-the-end-of-the-world.jpg

Tais participações são regadas com momentos emotivos, histéricos, e de certo humor negro, mas que funcionam em perfeita sincronia como um todo no filme. Esses personagens coadjuvantes representam os comportamentos que não poderiam deixar de serem manifestados. A obra da diretora Scafaria é doce e amarga de forma simultânea, e mesmo que recaia em alguns clichês (embora poucos), é sincera o suficiente para nos apresentar relacionamentos humanos reais, e a interação de ótimos personagens vividos por atores em sua melhor forma. Acredito que “Procura-se um Amigo...” precise ser lembrado na hora de elegermos os melhores filmes de 2012.


Pablo R. Bazarello

Publicitário, Crítico e cinéfilo entusiasta. Do tipo que sempre tira algo de bom de um filme. Mesmo que seja o sapato de um coadjuvante que aparece por 2 minutos..
Saiba como escrever na obvious.
version 2/s/Crítica// //Pablo R. Bazarello