Pablo R. Bazarello

Publicitário, Crítico e cinéfilo entusiasta. Do tipo que sempre tira algo de bom de um filme. Mesmo que seja o sapato de um coadjuvante que aparece por 2 minutos.

ROCK OF AGES - NO EMBALO DOS 80´S

Musical Rock n´Roll revive grandes sucessos da década de 1980 e promete grande nostalgia.


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Na época de ouro de Hollywood, o musical (ao lado do faroeste) era o gênero mais utilizado para contar histórias. Todo o glamour e o endeusamento das estrelas do cinema tinham tudo a ver com produções recheadas de brilho, figurinos elaborados e sets grandiosos. Os musicais pareciam exalar energia naquela época. Ao longo dos anos foram perdendo a força até culminar no desaparecimento provido pela década de oitenta. É justamente tal época que a nova superprodução do gênero decide homenagear, quem sabe para demonstrar que não há ressentimentos.

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Baseado num musical da Broadway, “Rock of Ages” se passa em 1987 e conta a história de diversos personagens durante o fim da era do glam rock, época que muitos acreditam ter sido a morte do verdadeiro rock n´roll – estilizado e idolatrado. Nesse tempo era comum e aceitável ser uma estrela politicamente incorreta, só pensar em sexo, drogas e álcool, e contestar toda espécie de estabelecimento dominante (o tão chamado “the man”). Apesar de muitos rostos conhecidos no elenco do filme, a verdadeira protagonista aqui é a jovem Julianne Hough, que promete em breve decolar ao estrelato.

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Hough esteve ano passo no remake de “Footloose” (que infelizmente não atingiu os cinemas no Brasil), e se saiu muito bem. Agora temos a oportunidade de ver a ascendente Hough brilhar na tela grande com seu carisma e charme irresistível. Ela é Sherrie, a típica menina saída do interior para ganhar a vida na cidade grande. Chegando a Hollywood (a terra dos sonhos) é roubada e encontra na figura de Drew (o novato Diego Boneta) a ajuda que precisa para se estabelecer. Não preciso dizer que os dois pombinhos logo estão se amando e declarando canções apaixonadas um para o outro.

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Mesmo com todos os nomes de peso envolvidos no projeto, Boneta e Hough conseguem espaço e se saem bem como os jovens protagonistas amantes. “Rock of Ages” foi escrito pelo ator Justin Theroux (ao lado de mais dois roteiristas incluindo o autor do material original Chris D´Arienzo) – responsável pelo roteiro dos ótimos “Trovão Tropical” e “Homem de Ferro 2” – e dirigido por Adam Shankman, cujo melhor trabalho é outro musical, “Hairspray – Em Busca da Fama”, considerado um dos melhores desde a retomada do gênero no início da década passada.

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De certa forma “Hairspray” e “Rock of Ages” possuem muitas semelhanças. As duas são obras que escolhem como tema épocas específicas da história americana, importantes para a cultura musical, e criam personagens icônicos (seja o Stacee Jaxx de Tom Cruise ou John Travolta de drag na pele da rechonchuda Edna Turnblad), sem dar devida importância, ou seriedade, ao aprofundamento do tema, como se tudo não passasse de uma brincadeira, quase como um conto de fadas.

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Em todo momento quase podemos ver os atores piscando para o público. É claro que a época da segregação racial, mesmo sendo levada num tom leve de um filme cômico musical, ainda é um assunto muito mais importante para a humanidade do que o fim de um estilo musical e de vida. “Rock of Ages” possui uma história central clichê (a menina do interior com grandes sonhos) e personagens com histórias individuais clichês (o astro do rock decadente que vive em seu próprio universo, a recatada carola de igreja que deseja dizimar a música profana, o empresário musical inescrupuloso, etc.). Dito isso, é válido afirmar também que todos os atores estão extremamente bem personificando seus papéis rasos.

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Atores como Paul Giamatti, Alec Baldwin, Catherine Zeta-Jones, Russell Brand, Bryan Cranston e Malin Akerman, mergulham de cabeça em seus personagens se desprovendo de qualquer embaraço. Obviamente o destaque que todos irão citar, é o astro Tom Cruise vivendo uma espécie de Axl Rose, um sujeito tão perdido que se torna uma ameaça. Cruise está fantástico, mas conta com um personagem chamativo a seu favor. Esse é um filme de equipe, um ensemble cast onde todos contribuem para a construção da obra e são igualmente importantes. Não existe uma performance ruim aqui.

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Não há como negar também que “Rock of Ages” diverte, obviamente grande parte do apelo do filme são as músicas que o recheiam; canções como Paradise City, Wanted Dead or Alive, Waiting for a girl Like You, Here I Go Again e We Built this city, prometem empolgar a plateia. É impossível para qualquer um que viveu durante o auge de popularidade de tais músicas não ser envolto automaticamente pela nostalgia. No final das contas “Rock of Ages” pode ser comparado a um álbum de fotos antigas em movimento; mesmo sem ter o melhor contador de histórias para fazer vivo cada frame, ainda pode nos causar emoção, nostalgia e nos remeter à época.


Pablo R. Bazarello

Publicitário, Crítico e cinéfilo entusiasta. Do tipo que sempre tira algo de bom de um filme. Mesmo que seja o sapato de um coadjuvante que aparece por 2 minutos..
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