Pablo R. Bazarello

Publicitário, Crítico e cinéfilo entusiasta. Do tipo que sempre tira algo de bom de um filme. Mesmo que seja o sapato de um coadjuvante que aparece por 2 minutos.

VALENTE - 17 Anos de Disney/Pixar

A Primeira princesa protagonista de um filme Pixar.


brave-movie-image-merida-swordfight-620x310.jpg Desde que entregou seu primeiro longa metragem animado em 1995, com “Toy Story”, ao lado da parceira Disney, os estúdios da Pixar têm conseguido emplacar um sucesso atrás do outro no topo das bilheterias. São 17 anos, e 13 filmes que o estúdio da luminária saltitante consegue emplacar em primeiro lugar nos fins de semana em que estrearam. Os esforços da Disney sem a parceira Pixar no terreno da animação por computação se mostraram ineficientes, vide o desastroso “O Galinho Chicken Little” (2005).

O que fez o estúdio do Mickey correr para renovar suas ligações abaladas com a Pixar, que exigia mais, justamente na época, ao perceber que sozinho não surtia o mesmo efeito no público, e não querer que o todo poderoso estúdio da luminária caísse nas mãos, por exemplo, da Sony ou da Fox. Alguns dos filmes animados mais adorados dos últimos anos saíram da parceria Disney/Pixar, vide “Procurando Nemo”, “Ratatouille”, “Os Incríveis”, “Wall-E”, e é claro a trilogia que é para a Pixar, o que Mickey é para a Disney, “Toy Story”.

Brave-Elinor-and-Merida.jpg O novo “Valente” não chega ao nível dos filmes citados, animações memoráveis que entram sempre nas listas dos melhores filmes de suas décadas, sempre lembrados por críticos e cinéfilos. E poderia facilmente ser considerado um filme menor dos estúdios parceiros, acima de “Carros” e sua sequência (talvez os filmes menos apreciados com o logo Pixar), ficando no nível de “Monstros, S.A.” e “Vida de Inseto” no gosto popular. Em “Valente”, temos a protagonista Merida (voz de Kelly Macdonald, da série “Bordwalk Empire”, no original), a princesa mais original de um filme da Disney.

Merida é a primogênita de um reino medieval escocês. Quando chega a juventude é a hora de receber pretendentes vindos de três outros reinos, que irão passar por provas de diversas etapas a fim de ganhar a mão da princesa, e consequentemente seu reino. Tudo isso é claro, para o desespero da protagonista, uma menina com qualidades além de seus pretendentes, destemida, corajosa, exímia lutadora com espadas, e com o arco e flecha; Merida não se vê na posição de se tornar apenas uma rainha, e não consegue cogitar seguir os passos da mãe (voz de Emma Thompson no original).

brave-movie-photo-02.jpg Essa é a primeira protagonista mulher em um filme da Disney/Pixar. Em anos recentes tivemos em primeiro plano: brinquedos, insetos, monstros, peixes, super-heróis, carros, um rato, um robô, e um velhinho. É também a primeira princesa (especialidade das animações tradicionais da Disney) em um filme da Pixar. Subversiva, suas animações não poderiam trazer uma princesa mais diferente. Ao contrário dos contos clássicos da própria casa, em “Valente” a princesa Merida não deseja se casar e viver feliz para sempre com seu príncipe, ou pelo menos não com o que lhe foi designado.

Ela deseja viver suas próprias aventuras, e traçar seu próprio caminho. Por causa disso vive batendo de frente com a mãe. Nesse aspecto o novo produto da Pixar ganha pontos em originalidade, ao apresentar uma princesa que de indefesa não tem nada, e não deseja se casar. Ganha pontos também com seus gráficos fantásticos, e cenários em computação belíssimos, apesar disso ser exatamente o que esperamos de uma animação vinda do estúdio. Os longos cabelos ruivos da protagonista, por exemplo, são tão reais que parecemos poder tocá-los.

brave-merida-hi-res.jpg O grande ponto negativo de “Valente”, e o que o fez se afastar do nível das grandes animações citadas anteriormente, é o seu roteiro. De certa forma preguiçoso, sua originalidade passa na primeira metade, quando a história dá uma guinada e para de focar nos problemas reais de Merida. Como apontaram críticos americanos, a trama que vem a seguir fica realmente muito bobinha. Sem revelar demais, a história foca no relacionamento entre mãe e filha, mas a forma escolhida para isso promete tirar os adultos, que levarem seus filhos, totalmente do filme. Isso não acontece se formos pensar, com filmes como “Ratatouille”, “Os Incríveis” e principalmente com o ousado “Wall-E” (um filme até mais para os adultos).

Brave-Merida_chacomcupcakes[1].jpg Talvez os roteiristas e diretores Brenda Chapman, Steve Purcell, Irene Mecchi e Mark Andrews tenham encontrado uma saída mais fácil em seu roteiro ao criarem essa reviravolta que ocorre logo antes da metade do filme. Solução essa que perde muitos pontos também pela originalidade, aproveitando parte da trama, ou pelo menos o conceito, de um dos filmes da Disney menos conhecidos, lançado numa época de declínio para as animações tradicionais, “Irmão Urso” (2003).

Ninguém ao ver os posters ou trailers de “Valente” imaginaria a guinada que a história leva, e a Pixar perdeu a chance de ter seu primeiro grande épico medieval realístico. Mas isso sem dúvidas afastaria as crianças, os lanches do McDonald´s e a venda dos bonecos, afinal “Wall-E”, considerado seu melhor e mais adulto projeto, foi também seu menor sucesso financeiro em anos recentes.


Pablo R. Bazarello

Publicitário, Crítico e cinéfilo entusiasta. Do tipo que sempre tira algo de bom de um filme. Mesmo que seja o sapato de um coadjuvante que aparece por 2 minutos..
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