Pablo R. Bazarello

Publicitário, Crítico e cinéfilo entusiasta. Do tipo que sempre tira algo de bom de um filme. Mesmo que seja o sapato de um coadjuvante que aparece por 2 minutos.

PARANORMAN - UMA ANIMAÇÃO PARA QUEM CURTE FILMES DE TERROR

Chris Butler, responsável pelo departamento de arte de produções como "A Noiva Cadáver" e "Coraline e o Mundo Secreto", faz seu debut no comando dessa obra que soa como homenagem ao subgênero dos filmes de zumbis.


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No melhor estilo de “O Sexto Sentido”, Norman é um menino que consegue ver e falar com fantasmas. Em casa, o garoto de 11 anos de idade conversa com a avó morta há anos, enquanto assiste a seus filmes de terror de costume. O problema do protagonista é que ninguém acredita em seu dom, nem mesmo seus pais, e Norman é visto por todos que o cercam como uma pária. O diretor e roteirista Chris Butler disse se inspirar em suas próprias experiências de infância.

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Sem conseguir se encaixar entre os alunos padronizados, o diretor passava seu tempo alheio ao mundo, criando seu próprio universo. Butler, que começou a carreira no departamento de arte de produções como “A Noiva Cadáver” e “Coraline e o Mundo Secreto”, estreia na direção de um filme de sua própria autoria. Obviamente adepto da técnica de animação em stop-motion (aquela que faz uso de bonecos fotografados a cada movimento), e aprendiz de cineastas do gênero como Tim Burton e Henry Selick, Butler cria um filme igualmente agradável para crianças, jovens e adultos.

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A animação em stop-motion, mesmo fazendo uso da ajuda de computadores atualmente, ainda consegue de certa forma passar um sentimento maior de presença, do que a maioria das animações por CG. A impressão é de que poderíamos tocar nos personagens, de que eles existem em nosso mundo, e não apenas no virtual. Na história, o hostilizado Norman se sente mais confortável em interagir com seres do além, do que com os humanos de sua cidade.

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O jovem aficionado por filmes de terror, percorre o caminho de sua escola interagindo com espíritos dos mais variados, mas quando chega finalmente a seu destino, é visto com olhos reprovadores por todos os seus colegas. Conhecido tipicamente como “Freak”, o menino quase não possui amigos. A trama engata quando seu tio, outro renegado pela sociedade, lhe diz que precisa impedir a maldição da bruxa, uma lenda respeitada e celebrada pela cidade, com direito a estátuas em praças, e peças escolares.

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Ao ler um livro dado pelo tio, Norman desperta alguns zumbis de seus túmulos, e daí o filme faz uso de um humor peculiar que quase sempre acerta o alvo. “Paranorman” talvez não seja indicado para crianças muito pequenas, e pode ser considerado muito intenso, digamos, para crianças abaixo de sete ou oito anos de idade. A determinação da idade do protagonista, talvez seja a indicação da censura aconselhável, apesar dessa constar como livre.

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Mas a verdade é que mortos-vivos perseguindo crianças indefesas pode não ser a ideia de diversão de seu filho de quatro anos, por exemplo. É claro também que aqui tudo é levado num tom de brincadeira, de mentirinha, onde sabemos que dentro do contexto os personagens não se encontram em real perigo. Uma vez deixando isso claro anteriormente para seu pequeno acompanhante, não deverá haver grandes problemas.

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Outro elemento agradável para quem já passou da infância, é o fato do filme fazer uso de diversas referências, que talvez crianças menores não percebam. Esses são os pequenos toques que os realizadores criam para que a experiência para os pais não se torne massacrante. De “Halloween” (1978) e “Sexta-Feira 13”, até a obra prima do gênero, “A Noite dos Mortos Vivos”, criada por George Romero em 1968, “Paranorman” é além de um filme de animação infantil, uma eficiente sátira aos filmes de terror e também uma homenagem. A produção diverte, fazendo bom uso de seus personagens, e acrescentando pitadas modernas que muito tem a dizer sobre diversos aspectos da sociedade atual.

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Dinâmico e satisfatório, e com uma mensagem a ser tirada (coisa muito esquecida em diversos filmes infantis, que como grandes formadores de opinião muitas vezes se interessam apenas em ser um produto de consumo sem conteúdo), a obra sem dúvidas é uma das melhores animações do ano. Criativa a ponto de apelar ao mais experiente cinéfilo, a produção mostra a força de uma arte quase perdida, que tem se empenhado em boas histórias a fim de justificar sua trabalhosa confecção.


Pablo R. Bazarello

Publicitário, Crítico e cinéfilo entusiasta. Do tipo que sempre tira algo de bom de um filme. Mesmo que seja o sapato de um coadjuvante que aparece por 2 minutos..
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