Pablo R. Bazarello

Publicitário, Crítico e cinéfilo entusiasta. Do tipo que sempre tira algo de bom de um filme. Mesmo que seja o sapato de um coadjuvante que aparece por 2 minutos.

TED - O URSINHO POLITICAMENTE INCORRETO

Beberrão, maconheiro, mulherengo e desbocado. Seth MacFarlane (a mente por trás de Uma Família da Pesada) nos apresenta sua nova criação, o ursinho Ted.


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A essa altura todos já sabem do que se trata o filme “Ted”, afinal a produção estrelada por Mark Wahlberg, Mila Kunis, e um ursinho de pelúcia falante recebeu grande hype desde que seu trailer caiu na rede meses atrás. Se você cometeu esse lapso e ainda não ouviu falar na “gracinha” politicamente incorreta aqui vai sua ficha. A obra é escrita por Seth MacFarlane, o criador da série animada “Uma Família da Pesada” (Family Guy), que também faz seu debut na direção de um longa-metragem, além, obviamente, de ceder a voz para sua criação, o ursinho desbocado. John Bennett é um menino deslocado e sem amigos, na década de oitenta.

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Ao receber de seus pais um presente de natal, na forma de um desses ursinhos de pelúcia falantes, o menino faz um desejo para que seu novo grande amigo realmente possa falar, pensar e interagir com ele. Através da magia do cinema, a pequena criatura adquire tais capacidades, e assim amigos inseparáveis começam sua trajetória até a fase adulta, quando revisitamos os personagens agora nas formas de Mark Wahlberg, e..., bem, um ursinho, mas com a voz de MacFarlane dessa vez.

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Quem já viu os trailers sabe que Ted, a pequena criatura felpuda, de fofinho só possui a aparência, e não ficaria devendo em nada para os personagens de Sacha Baron Cohen em matéria de humor abaixo da linha da cintura. Ted comporta-se como um adulto, afinal cresceu assim como seu melhor amigo, agora com 35 anos. Então sua rotina diária inclui tudo o que um jovem saudável nessa faixa etária faria – drogas, sexo com prostitutas, e grande ócio. Além do personagem Ted, o filme “Ted” é igualmente voltado ao humor incorreto, e todas as cenas que fazem uso de tal funcionam muito bem.

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Chegando nessa sexta-feira aos cinemas brasileiros, “Ted” já é um sucesso monstruoso no mundo todo, e a nona maior bilheteria do ano, sendo o único da lista que realmente é uma ideia original – fato que enaltece ainda mais o feito do carismático ursinho. Apesar de seu teor, “Ted” não é simplesmente uma comédia escrachada, e apela também aos jovens adultos com seus insights sobre o relacionamento de um casal moderno, interpretado por Wahlberg e Kunis.

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As cenas de interação dos protagonistas soam reais o tempo todo, e a química dos atores (que já haviam trabalhado juntos em “Max Payne” e “Uma Noite Fora de Série”) é perfeita. O centro da trama criada por MacFarlane é a amizade. Dois amigos inseparáveis precisam lidar com a chegada da maturidade e da vida adulta, quando um deles conhece a mulher ideal que o ama, e quer fazer com que evolua. O outro amigo apenas calhou de ser um bichinho acolchoado.

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A comédia é por vezes hilária e tocante, e é também uma metralhadora de referências por minuto, que não perdoa ninguém, e tira sarro explícito de Deus e o mundo. Astros em ascensão aparecem em pontas impagáveis, aqui temos espaço para tudo. Mark Wahlberg é um dos nomes mais quentes do cinema americano atual, produtor e ator, foi reportado recentemente como o astro mais rentável do ano (em grande parte graças a “Ted”). O timing cômico de Wahlberg é muito eficiente, ele é um dos poucos atores que soube brincar com sua persona nas telas, usando-a em seu benefício.

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O charme de Mila Kunis é irresistível, nas telas ela é a namorada perfeita, a combinação de elegância, beleza e inteligência. Existe uma subtrama no filme que fará muitos pensarem que a obra perdeu o seu ritmo, e envolve um misterioso personagem, interpretado por Giovanni Ribisi (recentemente visto ao lado de Wahlberg no filme lançado direto para vídeo no Brasil, “Contrabando”), e seu filho, mas inclusive essa parte é acertada e devidamente posicionada no filme a fim de servir para sua conclusão.

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Já existe falatório de uma possível continuação para “Ted”, o que poderia se tornar uma contradição, já que o filme flui tão bem a nossos olhos, corações e mentes justamente por se tratar de uma ideia totalmente original, e não uma adaptação, refilmagem, reboot ou justamente o que “Ted 2” irá se tornar, uma desavergonhada sequel. Enquanto “Ted 2” não chega ficamos com o primeiro, que é além de tudo um dos filmes mais apaixonados por filmes do ano. Isso traduz-se para nós, o grande público cinéfilo, numa produção feita sob medida para toda uma geração, como há muito não acontecia. O que mais posso dizer a não ser Ted rules!


Pablo R. Bazarello

Publicitário, Crítico e cinéfilo entusiasta. Do tipo que sempre tira algo de bom de um filme. Mesmo que seja o sapato de um coadjuvante que aparece por 2 minutos..
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