Pablo R. Bazarello

Publicitário, Crítico e cinéfilo entusiasta. Do tipo que sempre tira algo de bom de um filme. Mesmo que seja o sapato de um coadjuvante que aparece por 2 minutos.

LOOPER - ASSASSINOS DO FUTURO - Seria essa a ficção científica do ano?

Desde já considerada a ficção científica do momento, "Looper" tem agradado os críticos por onde passa. A Obra do diretor Rian Johnson é criativa, e conduz sua trama como um noir, incluindo elementos como viagem no tempo e poderes sobre-humanos. Mas seu verdadeiro chamariz se chama Joseph Gordon-Levitt.


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Um dos melhores artifícios que um filme pode usar a seu favor é o hype levantado em sua pré-produção. Ao ler uma determinada sinopse, conhecer o elenco e seu diretor, a mídia especializada pode alçar uma produção a um patamar que fará milhares de fanboys sofrerem esperando o lançamento de, desde já, um de seus filmes preferidos do ano. Alguns precisam se provar (vide “Homem de Ferro”), outros batalhar fazendo por merecer (“Batman Begins”), alguns perdem o gás antes mesmo de seu lançamento (o recente “Vizinhos Imediatos do 3° Grau”), e por fim alguns não correspondem a tanto falatório antes da estreia.

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É justamente nesse último quesito que se encontra a nova produção “Looper – Assassinos do Futuro”, protagonizado por Joseph Gordon-Levitt e Bruce Willis. Não que a obra de ficção científica seja demasiadamente insatisfatória, mas simplesmente não justifica o posto de revolucionária dado por alguns. Na trama, Gordon-Levitt é um Looper, um assassino profissional no ano de 2042. A premissa básica do filme “Looper” é que tais assassinos são pagos para exterminar pessoas enviadas do futuro.

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Como a narração inicial trata de nos explicar rapidamente, no futuro se tornou praticamente impossível se livrar de um corpo sem ser implicado, como a máquina do tempo foi criada, e agora é controlada justamente pelos grandes mafiosos, se tornou uma investida mais segura enviar pessoas indesejáveis para serem exterminadas no passado. Tudo muda na vida do protagonista Joe, quando ele se depara com sua versão 30 anos mais velha, para exterminar.

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O diretor Rian Johnson, responsável pelo cult “A Ponta de um Crime”, e pelo non-sense “Vigaristas”, achou ter criado puro ouro com sua história futurista complicada, e como se não tivesse um prato cheio o suficiente, ainda adiciona outros elementos na mistura, como seres mutantes com poderes telecinéticos – como definiu um crítico americano, “Looper” é o encontro entre “O Exterminador do Futuro”, “A Testemunha” e “Akira”. O que acontece é que assim como em muitas obras de ficção científica, desejamos passar mais tempo conhecendo a fundo cada detalhe desse novo mundo, e infelizmente aqui nosso desejo não é devidamente realizado. Em obras como “Blade Runner” sentimos como se pudéssemos descrever cada detalhe da Los Angeles futurística de Ridley Scott.

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Muitos disseram que o ano de 2012 se apoiou em “Looper” como o salvador do gênero, e os mais otimistas o acusaram de ser “A Origem” desse ano, já que como dizem os depreciadores, “O Vingador do Futuro” e “Prometheus” deixaram a desejar. O caso com o novo “Vingador do Futuro” foi o de muita cobertura e pouco recheio; os realizadores realmente dispararam um tiro no pé ao não confiarem nos cenários e no mundo maravilhoso que criaram a ponto de desacelerarem, para de forma tranquila nos mostrar tudo aquilo em que gastaram milhões de dólares para desenvolver, ao mesmo tempo em que poderiam explorar de forma mais eficiente sua história.

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Com “Looper” o exato oposto ocorre e o filme se torna o caso de muito recheio e pouca cobertura, aqui o que se tem é conteúdo o suficiente para pelo menos dois filmes. O entupimento de tramas causa insatisfação por termos apenas vislumbres do mundo de 2042, de situações e o pior, de personalidades. Pouco sabemos, por exemplo, do protagonista Joe, ou de se empregador, o mafioso vivido por Jeff Daniels, enviado do futuro em mais uma das subtramas mal cultivadas.

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Não me levem a mal, “Looper” tem sim mais criatividade em seu dedo mindinho do que muito do que é feito no cinema Blockbuster de Hollywood. Nós cinéfilos sempre pedimos pelo diferente, pelo criativo e pelo inusitado, e “Looper” sem dúvidas chegou para atender nossos pedidos. “Looper” apenas não é “A Origem”, e nem precisa ser. A diferença é que mesmo complexo tínhamos a certeza de que se voltássemos para uma segunda ou terceira vez “A Origem” faria sentido, e que seus realizadores sabiam exatamente o que faziam. Aqui, a sensação de que o filme perde o ritmo em sua segunda metade, e muda seu foco, é constante, e não podemos deixar de pensar que o diretor Johnson não se manteve fiel ao que começou.

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Resumindo, não existe necessidade da personagem de Emily Blunt, e a segunda metade comandada por ela em “Looper”; que afinal era sobre exterminadores da máfia. Não seria legal uma investida em um “O Poderoso Chefão” do futuro? No elenco os louros vão todos para Joseph Gordon-Levitt, que vem comendo pelas beiradas para se tornar o melhor ator de sua geração. Sua caracterização como o jovem Bruce Willis, embora conte com uma maquiagem eficiente, é simplesmente impressionante e digna de reconhecimento.


Pablo R. Bazarello

Publicitário, Crítico e cinéfilo entusiasta. Do tipo que sempre tira algo de bom de um filme. Mesmo que seja o sapato de um coadjuvante que aparece por 2 minutos..
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