Pablo R. Bazarello

Publicitário, Crítico e cinéfilo entusiasta. Do tipo que sempre tira algo de bom de um filme. Mesmo que seja o sapato de um coadjuvante que aparece por 2 minutos.

Previsão e Torcida Oscar 2013 - Melhor Ator Coadjuvante

Conheça melhor os indicados na categoria de ator coadjuvante na maior premiação da sétima arte.


Oscar 2013 - atores coadjuvantes.jpg Na categoria de Melhor Ator Coadjuvante de 2013 temos apenas atores que já possuem um Oscar decorando a sua casa. Alguns com mais de um inclusive. São eles:

arkin.png Idade: 78 anos.

O veterano Arkin começou a carreira no fim da década de 1950, mas começou a ganhar certa notoriedade no fim da década seguinte, e início da de 1970, participando de clássicos como “Os Russos Estão Chegando! Os Russos Estão Chegando!” e “Ardil 22”. O ator esteve inclusive no brasileiro “O Que É Isso, Companheiro?”, indicado ao Oscar na categoria de filme estrangeiro, do diretor Bruno Barreto.

Em “Argo”, Arkin interpreta Lester Siegel, um diretor de Hollywood que ajuda um agente da CIA (Ben Affleck) a forjar um plano envolvendo um filme falso, para resgatar membros da embaixada americana durante a crise do Irã nos anos 1970. Suas cenas ao lado de John Goodman servem de alívio cômico para esse filme tenso.

Indicações anteriores: Essa é a quarta indicação do ator no Oscar. Logo em um de seus primeiros papéis de destaque Arkin foi indicado, pelo citado “Os Russos Estão Chegando! Os Russos Estão Chegando!” (1966, comédia de guerra de Norman Jewison). Dois anos depois, o ator voltou à premiação indicado pelo drama “Por que Tem de ser Assim?”. Em 2007 finalmente levou para a casa a estatueta já como ator veterano, em “Pequena Miss Sunshine”, no qual interpretava o avô da adorável Olive (Abigail Breslin). Depois de sua vitória, que revoltou Eddie Murphy (indicado na categoria e dado como certo), Arkin voltou ao radar atuando em diversas produções mainstream.

Melhores Filmes: O ator trabalhou ao lado de Tim Burton como o pai de Winona Ryder em “Edward, Mãos de Tesoura”. Mas um de seus melhores filmes é a excelente peça filmada de David Mamet, por James Foley, “O Sucesso a Qualquer Preço” (1992, Glengary Glen Ross).

Piores Filmes: Dois filmes que de certa forma eu não desgosto, mas que passaram em branco por crítica e público, são “Rocketeer” (aventura de matinê de Joe Johnston) e “Agente 86” tentativa de adaptar para o cinema uma antiga série de TV (que contava com outra indicada ao Oscar desse ano no elenco, Anne Hathaway). Não podemos esquecer que o ator esteve nos fracos “Firewall”, com Harrison Ford, e “Meu Papai é Noel 3”, filme da Disney com Tim Allen.

Próximos Trabalhos: Arkin acaba de lançar nos EUA, a comédia criminal “Amigos Inseparáveis”, ao lado de Al Pacino e Christopher Walken. E vive um mágico aposentado em “The Incredible Burt Wonderstone”, comédia estrelada por Steve Carell e Jim Carrey, que chega em março por lá.

waltz.png Idade: 56 anos.

O austríaco Waltz começou a carreira no fim da década de 1970, trabalhando em filmes para a TV. Com 101 títulos figurando em seu currículo, é seguro dizer que o ator só foi realmente mostrado para o mundo quando o criativo Quentin Tarantino o descobriu para substituir Leonardo DiCaprio em “Bastardos Inglórios”. E assim o mundo ganhava um grande ator. Sua carreira pode ser dividida em antes e depois de Tarantino.

Em “Django Livre”, o ator recobra a parceria com Tarantino (que dessa vez realmente escreveu o papel com Waltz em mente) na pele do caçador de recompensas Dr. King Shultz, que dubla como dentista. O verborrágico e eloquente matador liberta o escravo do título (Jamie Foxx) e partem para resgatar sua mulher. Waltz está ótimo, mas reprisa o esperado, de “Bastardos Inglórios”.

Indicações anteriores: Essa é a segunda indicação ao Oscar do ator. A primeira resultou em sua vitória como um dos vilões mais memoráveis do cinema, o Coronel Hans Landa em “Bastardos Inglórios”.

Melhores Filmes: Como dito, a carreira de Waltz pode ser dividida em antes e depois de Tarantino. O ator foi mostrado ao mundo com o excelente “Bastardos Inglórios”, que mantém-se como seu melhor trabalho. Waltz esteve também na eficiente peça filmada “Deus da Carnificina”, do mestre Roman Polanski, ao lado de gente de peso como Jodie Foster, Kate Winslet e John C. Reilly.

Piores Filmes: Ainda bem que Tarantino existe na vida de Christoph Waltz. Somente assim para o ator não ficar estereotipado como o vilão da vez, nos papéis que lhe foram oferecidos em filmes como “O Besouro Verde”, “Os Três Mosqueteiros” e “Águas para Elefantes” (filmes que ficaram entre altos e baixos com os críticos e o público).

Próximos Trabalhos: Waltz emprestou a voz para a nova animação da Fox, “Epic”, que será lançada em maio, e conta ainda com as vozes de Colin Farrell, Josh Hutcherson, Amanda Seyfried, Steven Tyler e Beyoncé. Mais para o fim do ano, Waltz estará em “The Zero Theorem”, novo filme do diretor Terry Gilliam, ao lado de Matt Damon e Tilda Swinton.

seymour.png Idade: 45 anos.

Philip Seymour Hoffman é o ator mais jovem da categoria. Hoffman deu uma verdadeira guinada em sua carreira, que começou com pontas não muito significativas na década de 1990, para se tornar um dos mais talentosos atores da atualidade. O ator já trabalhou com verdadeiros pesos pesado como os irmãos Coen, Sidney Lumet e o próprio Paul Thomas Anderson e diversas ocasiões.

Em “O Mestre”, Hoffman dá show, como não poderia deixar de ser, na pele de Lancaster Dodd, um autoproclamado líder espiritual de uma nova religião. Paul Thomas Anderson percorre os primórdios da cientologia (“A Cura” no filme) e Hoffman barbariza como o personagem, dançando e cantando inclusive. Hoffman é sem dúvidas um favorito pessoal.

Indicações anteriores: Philip Seymour Hoffman, que também é diretor, levou o Oscar logo em sua primeira indicação na pele do icônico escritor Truman Capote, em “Capote”, de Bennett Miller. Depois disso foi indicado como coadjuvante na comédia política “Jogos do Poder”, e no religioso “Dúvida”, onde vivia um padre acusado de pedofilia. Essa é sua quarta indicação ao prêmio.

Melhores Filmes: Hoffman tem um verdadeiro acervo de obras de qualidade em sua filmografia, atualmente é difícil ver o ator fora de algum projeto de prestígio. Aqui temos muitas pra escolher, dentre as quais “Quase Famosos”, “Boogie Nights”, “O Grande Lebowski”, “O Talentoso Ripley” e “Embriagado de Amor” são algumas das favoritas. Também vale destacar os pouco conhecidos, mas excelentes “Sinédoque, Nova York” e “Incrível Obsessão” (Owning Mahowny).

Piores Filmes: Em seu início de carreira Hoffman participou de obras extremamente açucaradas e previsíveis como “Patch Adams” e “Ninguém É Perfeito”, no qual contracenava com Robert De Niro. Não podemos esquecer seu papel esdrúxulo em “Quero Ficar com Polly”, comédia-romântica escatológica com Ben Stiller e Jennifer Aniston.

Próximos Trabalhos: Hoffman lançou nos EUA no fim do ano passado, “A Late Quartet”, drama sobre músicos que ainda tem Christopher Walken e Catherie Keener no elenco. O ator também faz parte do elenco de “Jogos Vorazes: Em Chamas”, continuação do sucesso do ano passado, programado para novembro, e “A Most Wanted Man”, thriller no qual contracena com Robin Wright, Rachel McAdams e Willem Dafoe.

PREVISÃO:

jones.png Idade: 66 anos.

Apesar de ter perdido no Globo de Ouro para Christoph Waltz, acredito que o veterano Tommy Lee Jones irá levar para casa a estatueta de coadjuvante no Oscar. Jones começou a carreira na década de 1970, mas chamou verdadeiramente a atenção com sua performance em “JFK – A Pergunta que não quer Calar”, de Oliver Stone. Depois disso, porém, foi vilão num filme de Steven Seagal, e voltou aos holofotes como o certeiro agente federal Sam Gerard no sucesso “O Fugitivo”. Mais um vilão, dessa vez num filme de ação com Jeff Bridges, e aí sim seguiu para o estrelato com super produções como “Batman Eternamente” e “Homens de Preto”. Jones demonstra assim que é um bom ator que também sabe se divertir, embora não pareça devido a sua personalidade carrancuda.

Em “Lincoln”, Tommy Lee Jones rouba alguns momentos na pele do abolicionista fervoroso Thaddeus Stevens, que precisa conter seus ânimos a fim de fazer alguns acordos pensando a longo prazo. No filme, Jones tem alguns de seus melhores momentos, e isso é dizer muito de um ator com seu currículo. Sua vitória deverá acontecer porque Jones é um veterano que só tem um Oscar, por um filme de ação, e entre a maioria (tirando De Niro, que já tem 2 Oscar) é o que venceu há mais tempo.

Indicações anteriores: Com “Lincoln”, Jones recebe a sua quarta indicação ao Oscar. A primeira ocorreu com o citado “JFK”, em 1992. Seguindo para a vitória dois anos depois, na pele de Gerard, em “O Fugitivo”. Em 2008, Jones voltou à graça dos votantes com sua atuação em “No Vale das Sombras”.

Melhores Filmes: Jones participou de filmes de prestígio como “Onde os Fracos Não tem Vez”, “Assassinos por Natureza”, e dirigiu e estrelou em “Três Enterros”, mas também mostra que sabe se divertir aceitando fazer parte do elenco de filmes como “Cowboys do Espaço”, “Capitão América” e da trilogia “Homens de Preto”.

Piores Filmes: Alguém viu ou ouviu falar em “O Homem da Casa”...

Próximos Trabalhos: Jones entregou ano passado a ótima comédia dramática “Um Divã para Dois”, ao lado de Meryl Streep, e também está no drama histórico “Emperor”, que será lançado em março nos EUA. Em outubro, Jones lançará “Malavita”, do francês Luc Besson, um thriller dramático no qual contracena com seu companheiro indicado na mesma categoria, Robert De Niro, além da veterana Michelle Pfeiffer.

TORCIDA:

de niro.png Idade: 69 anos.

Minha torcida fica com o veterano De Niro, considerado o maior ator vivo. De Niro surgiu com a onda revolucionária que tomou Hollywood nos anos 1970 (uma de minhas épocas favoritas para o cinema), embora tenha começado a carreira na de 1960. Foi o ator preferido de Martin Scorsese durante muito tempo, e tem em sua filmografia alguns dos filmes mais importantes da história do cinema. Seu ápice veio justamente da parceria com o mestre Scorsese em “Taxi Driver”, embora já tivesse participado e sido reconhecido por “O Poderoso Chefão – Parte 2”. Atualmente o grande ator se encontra preso a produções descartáveis, pelo menos há mais de uma década. Mais um motivo para que esse talentoso ator seja reconhecido mais uma vez.

Em “O Lado Bom da Vida”, De Niro está bom como há muito não o víamos, grita, briga, improvisa, faz rir, e sai na rua despachando os vizinhos de pijama.

Indicações anteriores: A primeira indicação desse verdadeiro monstro sagrado foi também a sua vitória, no citado “O Poderoso Chefão – Parte 2”. Depois seguiram indicações por “Taxi Driver” e “O Franco Atirador”, e mais uma vitória dessa vez por “Touro Indomável”. Mais duas indicações, por “Tempo de Despertar” e “Cabo do Medo” (sua última há 21 anos). Essa é a sétima indicação de De Niro.

Melhores Filmes: Escolher apenas um bom filme no currículo desse icônico ator seria impossível, já que De Niro tem obras como “Os Bons Companheiros”, “Os Intocáveis”, “Caminhos Perigosos”, “Cassino”, “O Rei da Comédia”, “Era Uma Vez na América”, “Coração Satânico”, “Stanley & Iris”, “Fogo Contra Fogo”, “Ronin”, “Jackie Brown”, “O Bom Pastor” e “A Cartada Final”, em sua filmografia.

Piores Filmes: Escolher apenas um também seria difícil, já que De Niro tem obras como “New York, New York”, “Estranha Obsessão”, “Ninguém É Perfeito”, “15 Minutos”, “Showtime”, “A Máfia volta ao Divã”, “O Enviado”, “As Aventuras de Rocky e Bullwinkle”, “Entrando Numa Fria Maior Ainda com a Família”, “As Duas Faces da Lei”, “Noite de Ano Novo” e “Poder Paranormal” em sua filmografia.

Próximos Trabalhos: A máquina de fazer filmes De Niro não descansa, talvez por isso tantos de qualidade duvidosa. “Being Flynn”, drama elogiado de Paul Weitz, ainda não chegou ao Brasil. Em abril De Niro lançará “O Casamento de Ano”, comédia com um grande elenco. “Motel” é um thriller que estrela ao lado do apagado John Cusack. “Killing Season” é um thriller de ação que o une a John Travolta. E “Last Vegas” é tido como a versão da terceira idade de “Se Beber, Não Case”, no qual De Niro se junto aos veteranos Morgan Freeman, Michael Douglas e Kevin Kline; além do citado “Malavita”, de Luc Besson.

ESNOBADOS:

django-unchained-movie-image-leonardo-dicaprio1.jpg Realmente é difícil eleger apenas cinco indicados. E os escolhidos sempre serão criticados por não serem tão bons quanto algum que ficou de fora. Sempre é curioso olharmos para uma forte atuação que foi ignorada pela Academia. E esse ano as mais significativas na categoria de ator coadjuvante foram: Leonardo DiCaprio – Um eterno esnobado pela Academia, o ator na verdade já recebeu três indicações ao Oscar, mas não por suas performances mais marcantes. No ano de 2007, por exemplo, foi indicado por “Diamante de Sangue”, e não pela atuação mais significativa em “Os Infiltrados”. Agora, ocorre o mesmo em “Django Livre”, e embora DiCaprio tenha sido indicado ao Globo de Ouro, somente seu companheiro Christoph Waltz foi lembrado no Oscar. DiCaprio tem uma atuação poderosa no filme como Calvin Candie, um escravista fascinado por disputas corpo-a-corpo. DiCaprio se excede inclusive cortando a mão, num dos melhores desempenhos de sua carreira, em um papel totalmente inusitado e poderoso.

O trabalho de John Goodman em “Argo” estava igualmente convincente e charmoso como o maquiador que serve de ponte entre o agente da CIA e o diretor de cinema (Alan Arkin, indicado por seu desempenho).

Outra performance marcante foi a do sempre eficiente James Gandolfini em “O Homem da Máfia”. Gandolfini nunca recebeu uma indicação da Academia.

3.jpg 2012 foi marcado entre outras coisas no cinema como o ano do ressurgimento artístico do talentoso, mas esquecido, Matthew McConaughey. Fato que recebeu inclusive o apelido de “McConaissance”. O ator esteve presente em diversas obras de qualidade, com atuações igualmente satisfatórias, como em “Bernie”, “Killer Joe”, “Mud” e “The Paperboy”. Seu trabalho no morno “Magic Mike” despertou falatório de indicações, na pele de um stripper quarentão.

Esse foi igualmente o ano de dois outros jovens atores promissores: Tom Hardy, que entregou trabalhos em filmes como “Os Infratores” e principalmente como Bane em “O Cavaleiro das Trevas Ressurge”; e Joseph Gordon-Levitt que se destacou em “Looper” e igualmente no fim da trilogia do homem-morcego de Christopher Nolan.

Uma das ausências mais sentidas foi a de Javier Bardem, talentoso ator vencedor do Oscar, que entregou um dos vilões mais divertidos do ano, com seu terrorista Silva em “007 – Operação Skyfall”. Skyfall_54.jpeg


Pablo R. Bazarello

Publicitário, Crítico e cinéfilo entusiasta. Do tipo que sempre tira algo de bom de um filme. Mesmo que seja o sapato de um coadjuvante que aparece por 2 minutos..
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