páginas intempestivas

literatura, fragmentos de opiniões, estilhaços de pensamentos

Lucas Toledo de Andrade

Mestrando em Estudos Literários, aquariano, otimista convicto e um pouco irritante.

Sobre a vida e as incertezas

O dia 13 de agosto de 2014 marca-se como uma data trágica e chocante que nos faz refletir sobre a vida, a morte e as incertezas.


08416d5ec10b835c5897baa3d0262d78.JPG

O dia 13 de agosto de 2014 será um dia marcante, um dia para sempre lembrado na história do país, um dia que nos fez refletir sobre a vida, o destino e as incertezas. Quem assistiu ao Jornal Nacional na noite de 12 de agosto, viu Eduardo Campos, cheio de vontade e desejo de mudança, discutindo a situação política e econômica do país e mostrando-se ser um caminho alternativo que fugia da polarização PT – PSDB que domina o Brasil há décadas, para na tarde do dia seguinte ser calado pela morte.

Mas é verdade que diante da morte, a política e os discursos inflados de qualquer partido perdem o sentido, tornam-se vozes mudas engolidas por um ruído muito mais estridente, um ruído formado pelo choque, pela tristeza e pelo anúncio de uma tragédia que ceifa a vida de um homem público, um político, um pai de família, um otimista, movido por tantos ideais e não só a dele, mas a de todos os outros tripulantes do voo que caiu sobre um bairro da cidade de Santos (SP). O jatinho colidiu com o solo e levou consigo inúmeros desejos, vários planos e vida de homens que tinham sonhos futuros, histórias para viver e tantas outras coisas que foram deixadas para trás. A questão política é o que menos importa agora, as piadinhas não cabem nesse momento de choque que abateu o país e até mesmo os simpatizantes de qualquer um dos partidos políticos, pelo menos os “normais”. As eleições de 2014, um possível sucessor e os rumos que isso trará precisam ser discussões feitas e trazidas depois. O momento agora é de respeito, respeito à vida de homens, à vida de seres humanos, à vida de pessoas comuns, com sonhos, famílias e contas para pagar no fim do mês, como todos nós.

É importante que a morte nos choque, que a morte nos faça pensar na vida, pois quando deixarmos de estranhar a morte, de procurar explicações a ela, de perceber o quão incerta é nossa condição, nos tornaremos duros, insensíveis e acredito que não tão bons seres humanos. Que a tragédia com Campos nos comova, que as mortes diárias nos deixem perplexos e aturdidos diante da possibilidade de que tudo pode acabar, para que assim sejamos menos egoístas, preconceituosos, para que paremos de discutir coisas desnecessárias e para que nos entreguemos com intensidade e amor a tudo aquilo que fazemos e acreditamos, assim como fez Eduardo Campos, um homem que já é parte das memórias do Brasil e dos brasileiros, não apenas pela morte trágica, mas pela vida que viveu, pelas pessoas que ajudou, por aquilo que acreditou, pelos seus objetivos, sonhos e propostas.


Lucas Toledo de Andrade

Mestrando em Estudos Literários, aquariano, otimista convicto e um pouco irritante. .
Saiba como escrever na obvious.

deixe o seu comentário

Os comentários a este artigo são da exclusiva responsabilidade dos seus autores e não veiculam a opinião do autor do artigo sobre as matérias em questão.

comments powered by Disqus
version 1/s/// //Lucas Toledo de Andrade