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literatura, fragmentos de opiniões, estilhaços de pensamentos

Lucas Toledo de Andrade

Mestrando em Estudos Literários, aquariano, otimista convicto e um pouco irritante.

O sempre surpreendente Criolo

No álbum recém-lançado, Criolo mostra sua capacidade de surpreender a todos nós. "Convoque seu Buda" vale-se da fusão de ritmos já revelada no elogiado "Nó na orelha" e mostra um trabalho maduro e refinado, de um artista que desde 1989 se apresenta na cena do RAP paulistana.


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A cena musical brasileira contemporânea tem um forte nome, ele é Kleber Cavalgante Gomes, mas atende como Criolo. Criolo começou no mundo do RAP em 1989, mas só ganhou reconhecimento nacional a partir de 2006, com o lançamento do seu álbum Ainda há tempo e logo depois em 2011 com o premiado Nó na orelha, álbum que tem como elemento principal a mistura de ritmos, falares, tons e expressões. Nó na orelha vai do RAP ao bolero, passando pelo samba, reggae, afrobeat e outras misturas incríveis que revelam o talento do músico e compositor do Grajaú. O álbum lançado em 2011 projetou Criolo para todo o país e garantiu prêmios e elogios da crítica especializada.

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O aguardado álbum que viria depois de Nó na orelha é lançado em 2014 e prova o quão surpreendente é capaz de ser a produção de Criolo. Convoque seu Buda faz-se pelo processo de fusão de ritmos e tribos que também está presente em Nó na orelha, porém não é apenas uma simples tentativa de reviver o sucesso do álbum anterior, Convoque seu Buda traz novidades, como nos mostra Clebber Facchi do site Miojo Indie, para ele o “terceiro álbum de estúdio do rapper paulistano – o segundo desde que abandonou o título de “Doido” -, Convoque Seu Buda pode até seguir a trilha do antecessor, o elogiado Nó Na Orelha (2011), porém, está longe parecer uma cópia ou provável sequência. Do diálogo reformulado com a MPB de Gil e Caetano – vide o canto rimado em “Pegue pra ela” e arranjos de “Plano de voo” -, passando pelo samba “político” em “Fermento pra massa”, Criolo parece redescobrir a própria essência”.

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A mistura marcante na obra de Criolo, que foi tratada com bastante refinamento e competência nos álbuns de 2011 e 2014 possui como base a crítica social que a periferia lança sobre a classe que domina, os políticos e o próprio egoísmo humano, revelado sempre pelos espaços caóticos e confusos da cidade de São Paulo. Convoque seu Buda vale-se ainda do ecletismo religioso que vai das religiões africanas às orientais, das constantes referências à periferia paulista e ao povo que a habita. A arte de Criolo mescla-se à vida, ao caos da metrópole, aos problemas enfrentados pela periferia brasileira, mas também dialoga com outros universos que crescem e inundam cada uma das letras que fazem com que Convoque seu Buda seja um álbum maduro, de um músico e compositor que se renova sempre e não cansa de nos surpreender.

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Lucas Toledo de Andrade

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