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literatura, fragmentos de opiniões, estilhaços de pensamentos

Lucas Toledo de Andrade

Mestrando em Estudos Literários, aquariano, otimista convicto e um pouco irritante.

Os fins de ano, os recomeços...

Os fins de ano dão a possibilidade ao homem, por mais pessimista que esse seja, de acreditar na mudança e em dias novos e diferentes daqueles que passaram.


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Sim! Eu sei que essa criação de tempo que vai de janeiro a dezembro pode não trazer nenhuma mudança às nossas vidas. Sim! Eu sei que depois da noite de 31 de dezembro tudo continuará provavelmente igual, da mesma forma, pois o fim de um ano e início de outro não possui a mágica de fazer tudo ser diferente, tudo se renovar. Mas, eu concordo com um texto falsamente atribuído a Drummond, quando esse diz da genialidade do indivíduo que teve a ideia de dividir o tempo em fatias e renovar em todos nós a esperança e a vontade por dias melhores.

Os fins de ano possuem a capacidade de nos fazer refletir sobre nossos próprios atos, refletir sobre a vida, sobre o convívio com o outro, sobre as experiências boas e ruins que tivemos, sobre as dores que compartilhamos e as delícias que vivemos. Os fins de ano possuem o elemento surpreendente de nos fazer acreditar que depois da meia-noite de 31 de dezembro poderemos recomeçar, fazer diferente, usar toda a experiência acumulada, os dramas vividos e a partir deles iniciarmos um novo tempo, um período melhor e diferente. Os fins de ano abalam a consciência humana e mexem com o mais pessimista dos indivíduos, pois até eles devem pensar: “esse ano será muito pior que o outro”, e nessa frase, por mais terrível que seja, há o fator da mudança, da diferença e da crença naquilo que trará esses 365 dias inéditos que teremos pela frente.

A verdade é que acredito na força por detrás dos fins de ano, na magia existente no fato de repensarmos nossos próprios atos, de olharmos ao outro com mais compaixão, de nos aproximarmos de nossas famílias, de nos abraçarmos e nos embebedarmos juntos, de fazermos promessas que nunca serão cumpridas e outras que mudarão nossas vidas para sempre.

Os ritos de passagem existentes em diversas tradições e marcas de muitas culturas restauram em nós a fé naquilo que chamamos de vida, nos permitem repisar sobre nossas pegadas e mudarmos as nossas histórias. A mudança de ciclo, expressa lá no 31 de dezembro, dá ao ser humano a certeza da possibilidade de fazer tudo novo e de perceber, talvez, que a verdadeira transformação, o verdadeiro sentido de uma vida diferente e renovada está dentro de próprio homem, no seu interior e que isso pode ser resgatado do 1º de janeiro ao 31 de dezembro de qualquer ano, o que me faz concordar, enfim, com um trecho de um poema, dessa vez, da autoria do verdadeiro Drummond: "Para ganhar um Ano Novo/que mereça este nome,/você, meu caro, tem de merecê-lo,/tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil,/mas tente, experimente, consciente./É dentro de você que o Ano Novo/cochila e espera desde sempre."

FELIZ RECOMEÇO A TODOS.


Lucas Toledo de Andrade

Mestrando em Estudos Literários, aquariano, otimista convicto e um pouco irritante. .
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