palavras cruzadas

A arte como estudo da alma

Beatriz Braga

Jornalista pernambucana que acha que cinema é a única coisa melhor que bolo de chocolate e a escrita é a forma de exorcismo mais eficiente.

Marylin, Lennon, Kurt Cobain, Elvis, Tupac e Bruce Lee juntos numa ilha deserta

Campanha de cerveja holandesa supõe que astros que tiveram algumas das mortes mais choradas da história da música e do cinema mundial estão aproveitando a vida numa ilha deserta, longe dos holofotes. Conheça outros comerciais famosos da agência européia.


bavaria-radler-elvis-2pac.jpg Lee, Cobain, Marylin, Elvis, Lennon e Tupac se divertem em ilha deserta

Uma empresa alemã resolveu brincar com os espíritos de astros que tiveram desfechos emblemáticos. Uma ilha deserta onde escondem-se ícones da música e do cinema que o mundo ainda insiste em remexer nos mistérios de suas mortes. O que a Bavaria Radler tem a ver com isso? Nada. Mas o fã que nunca imaginou como seriam Marylin, Lennon e Kurt Cobain velhos e ainda vivos que atire a primeira pedra.

No comercial, Marylin Monroe não perde a vez de repetir a épica cena do vestido, do filme O pecado mora ao lado, depois de Tupac Shakur ter tido ajuda da diva americana para se proteger do sol. Aos 36 anos, um dos mais importantes símbolos sexuais da história havia morrido, deixando os fãs sem muitas explicações, o que envolveu suspeitas de suicídio e assassinato. De uma forma também difícil de entender, Tupac foi baleado aos 25 e morreu alguns dias depois da noite agitada em Las Vegas.

Na mesma ilha imaginária, uma jovem chamada Jude, em referência à música dos Beatles, faz o trabalho de garçonete e atende Jonh Lennon, morto por um "fã", aos 40 anos, em 1980. Já Elvis Presley, o mais imortal dos imortais, morreu por problemas cardíacos na sua mansão, aos 42 anos, depois de um dia aparentemente comum. O que levou o mundo a esperar que ele estava apenas se escondendo por aí.

Não poderia faltar Bruce Lee, que no comercial aparece alertando aos amigos que um navio está chegando na ilha. O ator morreu aos 32 anos, de um edema cerebral, na década de 1970. Vinte anos depois, seu filho Brandon Lee teve a morte mais estranha do cinema, no set do filme O Corvo. A arma que deveria estar munida de bala de festim, fora carregada com bala de verdade e atingiu o ator.

No hall dos jovens, bonitos, talentosos, imaginar Kurt Cobain quarentão, com seus cabelos loiros e longos, é de apertar o coração. O comercial vai ao ar nas vésperas de completar duas décadas do suicídio do eterno Nirvana, em abril de 1996.

Jovens demais, Lennon, Marylin, Tupac, Kurt, Lee e Presley viveram a êxtase da popularidade em um mundo que ama na mesma proporção que machuca seus ídolos e nunca os deixa ir embora. O comercial vem rendendo polêmicas, que prevêm inclusive uma saída obrigatória do ar pelos direitos autorais. Cada um que queria lembrar da sua forma, os imortais artistas da nossa história.

Expert em fazer campanhas cheias de burburinho, a agência Selmore envolveu Charlie Sheen em outro comercial para a cervejaria. Nessa, o artista está saindo da clínica de reabilitação e fala para os médicos: "Vamos não tomar uma cerveja qualquer dia". E, ao contrário do que desejava, motoristas, grávidas, amigos e familiares estão estranhamente bebendo o líquido precioso em todos os lugares da cidade. Até que, feliz da vida, descobre que a nova sensação é a cerveja sem álcool. Veja o vídeo:

Uma outra campanha feita pela agência, dessa vez bem emocionante, é sobre os cães que ajudam na recuperação de pessoas com traumas psicológicos. "Porque nós não ajudamos apenas aqueles que não conseguem ver, mas também aqueles que já viram demais".


Beatriz Braga

Jornalista pernambucana que acha que cinema é a única coisa melhor que bolo de chocolate e a escrita é a forma de exorcismo mais eficiente. .
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