palavras desconcertantes

É preciso saber ler as entrelinhas.

Rita Ribeiro

Professora por profissão; blogueira por diversão; escritora, bem... como diria Leminski, escrevo e pronto, escrevo porque preciso, escrevo apenas, precisa ter por quê?

Idiomas de Game of Thrones tiveram o português como inspiração

Linguísta americano especializa-se em inventar idiomas para seriados e cria, a partir do português, inglês e latim, as línguas dothraki e valiriano faladas na série Game of Thrones


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David J. Peterson, 32 anos, formado em Inglês pela Universidade da Califórnia, Berkeley, assistia tantas aulas, quanto coubessem em sua agenda, então estudou árabe, francês, russo, egípcio e, ao estudar linguística, teve a ideia de criar línguas.

Quando David Benioff e D. B. Weissos, produtores da série Game of Thrones, levaram a ideia de um piloto para a HBO procuraram a Language Creation Society, ONG fundada pelos criadores de idiomas.

Uma concorrência foi aberta e, depois de apresentar uma proposta de 300 páginas com 1.700 palavras, descrições gramaticais, frases e traduções, Peterson foi escolhido para desenvolver o idioma dothraki para o seriado.

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Os inúmeros fãs de Game of Thrones devem lembrar-se quando Daenerys Targaryen se referia a seu marido Khal Drogo como Shekh ma shieraki anni, “meu sol e estrelas”.

Era o dothraki, idioma criado e sistematizado por Peterson para a série, a partir da análise de algumas palavras que apareciam nos livros de George R.R. Martin, autor dos livros, cuja história vem sendo adaptada para a série.

Ele criou também o baixo valiriano e o alto valiriano, esta, a língua materna de Daenerys Targaryen, a Khaleesi, protagonizada pela atriz Emília Clarke; aquela, falada pelos escravos que, no decorrer da história, ela liberta pelo seu forte senso de justiça, e os transforma em seu exército.

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Gramaticalmente, o dothraki se parece com o havaiano, e as línguas indo-europeias, como o inglês e o português; mais o português pela estrutura das frases. Existe sujeito, verbo e objeto, a flexão do verbo e do substantivo, os adjetivos modificando o nome, inclusive com orações subordinadas relativas.

E, como eram povos nômades e fortes, isso precisaria refletir também no idioma, motivo pelo qual Peterson buscou o som do árabe, mais duro e áspero, diferentes do som da língua inglesa.

Daí, tem-se uma pequena noção do trabalho que um criador de idiomas tem para tornar verossímil o que as personagens dizem.

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O alto valiriano é parecido com o latim, até por vontade do próprio escritor Geoge R.R. Martin e, para isso, foi necessário muito trabalho e memorização para que a conjugação dos verbos fosse feita de forma correta.

Apesar de Khaleesi e seus seguidores falarem, respectivamente, o alto valiriano e o baixo valiriano durante as últimas temporadas, os atores não precisaram aprender a língua, mas apenas treinar sua pronúncia, o que fazem a partir de arquivos em mp3 que recebem de Peterson. Para alguns atores a pronúncia é mais fácil, enquanto outros encontram mais dificuldades.

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Depois do trabalho que vem desenvolvendo em Game of Thrones, Peterson já foi chamado para criar, não só idiomas, mas toda uma cultura para os grupos alienígenas do seriado Defiance, atuando como consultor.

Inventou um idioma para a série Star-Crossed, e outro para o filme Thor: O Mundo Sombrio, convidado por Alan Taylor, que dirigiu alguns episódios de Game of Thrones.

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Peterson seguiu a trilha de Paul R. Frommer que inventou o Na"vi para o filme Avatar, do diretor James Cameron e que, no momento, também trabalha para expandir a língua para as sequências do filme.

Quem imaginaria que criar línguas fosse uma forma de se ganhar dinheiro, ou até mesmo que isso fosse possível?


Rita Ribeiro

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