palavras desconcertantes

É preciso saber ler as entrelinhas.

Rita Ribeiro

Professora por profissão; blogueira por diversão; escritora, bem... como diria Leminski, escrevo e pronto, escrevo porque preciso, escrevo apenas, precisa ter por quê?

Amor em tempos de consumo

O amor “é o desejo impossível de ser um quando há dois”. (Jacques Lacan)


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Vemos, atualmente, homens e mulheres em relacionamentos difíceis, desencontrando-se em seus desejos, desfrutando de pouco companheirismo e acumulando desentendimentos.

Para o sociólogo polonês Zigmunt Bauman, autor do livro "Amor líquido", as relações amorosas são muito instantâneas na atualidade, pois os relacionamentos acompanham o ritmo de consumo exacerbado que vivemos.

Do mesmo modo que consumimos objetos e depois os trocamos por outros mais novos, e ainda, levados pela publicidade e a mídia que torna tudo muito mais atraente; também no amor há uma sede de consumo.

Assim as pessoas buscam namoros e experiências sexuais diferentes, numa ânsia de provar tudo e, ao mesmo tempo; e quando finalmente encontram alguém, sentem uma sensação de prisão. Então, logo partem para outras conquistas, talvez maiores ou mais emocionantes.

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Vivemos uma época em que tudo se tornou muito efêmero e vivemos com pressa e ansiedade de mais. Luta-se contra o apego. Vive-se em nome de uma felicidade a qualquer custo, como se não houvesse o dia de amanhã.

Segundo o sociólogo, as pessoas têm transferido esses valores para a forma como buscam o amor. E ao misturar esses valores aos seus anseios e emoções criam um mecanismo interno que os faz buscar a felicidade fora, sem dar espaço para que ela entre, e assim, também o amor.

Nessa busca compulsiva e incessante encontram um amor que mal entendem e, ansiosos por viver um pouco de tudo, acumulam muitas e muitas dores de amor.

E com as dores, as frustrações e, com as frustrações um mal maior pode surgir – o medo de amar – , pois as pessoas passam a escolher parceiros pouco interessantes para envolvimentos pouco intensos.

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Essas pessoas entregam-se a essa busca como solução para todos os seus problemas, deixam-se fazer reféns de amores infelizes e destrutivos por não terem a serenidade necessária para compreender que o maior erro está nessa tentativa de encontrar o outro que o complemente, sem nem mesmo saber se é o que querem realmente.

O mais importante é o conhecimento de si mesmo, e a compreensão de que é preciso ser feliz independente do outro, a partir das nossas próprias possibilidades, pois o amor precisa acontecer naturalmente, precisa desabrochar.

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E se conseguirmos encontrar a felicidade por nós mesmos, então estaremos prontos para encontrar o outro com quem possamos partilhá-la. Dois seres sem consumir nem depender um do outro, mas felizes.

E o mais importante: acreditar que o amor pode surpreender no momento em que menos imaginarmos que precisamos dele.


Rita Ribeiro

Professora por profissão; blogueira por diversão; escritora, bem... como diria Leminski, escrevo e pronto, escrevo porque preciso, escrevo apenas, precisa ter por quê?.
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