palavras desconcertantes

É preciso saber ler as entrelinhas.

Rita Ribeiro

Professora por profissão; blogueira por diversão; escritora, bem... como diria Leminski, escrevo e pronto, escrevo porque preciso, escrevo apenas, precisa ter por quê?

Terapia é sucesso nas séries de TV

“Preciso parar de falar sobre a vida e viver.”
(Theo, terapeuta fictício)


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Em agosto próximo, tem início no canal a cabo GNT, a terceira temporada da série Sessão de Terapia, dirigida por Selton Mello e adaptada do original israelense Be'tipul (tratamento), criado e dirigido por Hagai Levi; e também da versão americana In Treatment (terapia), ambas muito premiadas, e que também tiveram outras versões em países como Argentina, Itália, Canadá, Japão, Holanda, Rússia, entre outros.

Na primeira temporada, Selton Mello dizia não ter a intenção de dirigir uma segunda, mas o sucesso foi tanto, que não só dirigiu e produziu a segunda, como inicia esta terceira com temas originais brasileiros, tendo em vista a série israelense ter durado apenas duas temporadas.

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Todas as versões do original israelense tiveram praticamente os mesmos roteiros por se tratarem de temas universais, apenas adequados às características de cada país, como, por exemplo, o piloto das forças aéreas israelenses que lutava no conflito da Faixa de Gaza, em In Treatment foi um piloto servindo no Iraque; e aqui, um atirador de elite da Polícia Militar.

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O grande sucesso da série deve-se ao fato de o autor ter escolhido personagens que, de alguma forma, representam arquétipos dos problemas mais comuns entre pessoas que procuram terapia.

E para que a série fosse o mais próximo possível da realidade, psicólogos e psiquiatras de várias partes do mundo foram consultados.

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Então, pôde-se ver, por exemplo, um casal com dificuldades no casamento, inclusive diante do dilema de um aborto; a adolescente enfrentando problemas com os pais ausentes; o empresário que precisa repensar sua vida ao se deparar com crises de pânico; uma jovem que não sabe como enfrentar o câncer; e a advogada bem-sucedida que vê seu relógio biológico colocá-la em cheque na decisão de ser mãe, ou não.

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O telespectador participa da rotina do psiquiatra Theo Cecatto, protagonizado pelo ator Zécarlos Machado, e, a cada dia da semana, acompanha um paciente desde a descrença que, de início, os pacientes sentem pela terapia, os questionamentos e angústias que expõem, até a empatia que aos poucos se cria entre terapeuta e pacientes no decorrer das sessões.

A cada semana também acompanha o desenrolar das dificuldades de cada paciente e, no quinto dia, vê o próprio Dr. Theo buscar respostas para suas angústias e dificuldades com um supervisor.

Os episódios de vinte minutos, sem intervalos, mostram um diálogo contínuo entre terapeuta e paciente; e os detalhes da fotografia, da cenografia e da direção de arte criam o ambiente envolvente do consultório, possibilitando ao telespectador entrar em contato com as fragilidades e angústias das personagens.

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A segunda temporada terminou com a decisão de Theo em dar um tempo como terapeuta, e viajar para repensar sua própria vida. A nova temporada começa com sua volta que pode ser o reinício de novos dramas ou a oportunidade de superar antigos problemas.

Para aqueles que já acompanham a série (ou ainda não) podem ver aqui um vídeo com um making of, que mostra depoimentos de produtores, atores e diretor a respeito da terceira temporada.

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Além do sucesso de Sessão de Terapia, para provar que o tema tornou-se um interesse do público -- pelo menos o da TV por assinatura--, foi exibida também Psi, outro seriado do gênero, produzido pelo canal a cabo HBO e baseado nos livros de Contardo Calligaris, psicanalista e escritor italiano radicado no Brasil.

Psi tem como tema central a rotina de Carlo Antonini, um terapeuta protagonizado pelo ator Emílio Mello. Entediado com sua vida no consultório, ele vê mais sentido em ajudar as pessoas do seu cotidiano, e sente mais prazer em desvendar os casos mais inusitados e os desafios que estes lhe apresentam.

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Com abordagens diferentes, as duas séries são interessantes, pois de alguma forma as pessoas se identificam e se entretêm com os diferentes assuntos e diferentes personagens que o tema proporciona.

E, ao mostrar a vida de pacientes se descomplicarem, talvez estas séries, além de levarem entretenimento, tirem o estigma de que a terapia é coisa somente para “loucos”.


Rita Ribeiro

Professora por profissão; blogueira por diversão; escritora, bem... como diria Leminski, escrevo e pronto, escrevo porque preciso, escrevo apenas, precisa ter por quê?.
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