Vanessa Rossi

Da esquerda à direita; Das frases prontas aos rompantes de criatividade.

Quando a experiência se torna cinismo


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E cá estou novamente. Sempre com os miolos fervendo. Acaso hoje me vejo diferente de ontem. Mais madura. Mais insana talvez. Mais alguma coisa que não sei precisar. Reconheço duas fases na vida do ser-humano: A primeira quando estamos buscando referenciais acerca do que realmente somos; o que compreende a infância e a adolescência. E a segunda quando temos consciência demasiada do que somos. Sabemos exatamente o que nos agrada. O que nos desagrada. O que nos provoca as duas coisas. Provavelmente eu esteja atravessando a segunda fase. Ter consciência de si mesmo é uma caixinha de surpresas: Sempre descobrimos algo novo. Tenho descoberto como a experiência nos torna cínicos. Pasmem vocês, é isso mesmo. Verdadeiramente cínicos. Vamos nos resolvendo. Deslizando as pedras do caminho. Vamos construindo nossos castelos. Nossos muros de pedra. Passamos a não ligar mais pra coisas banais. Aprendemos a sofrer menos. A não ligar para o que os outros pensam. Quem nunca passou uma crise de adolescência dramática? Um amor não resolvido? A perda de alguém muito querido? O professor chato na faculdade? O chefe? Tudo isso nos transforma. Creio eu que pra melhor. Vamos aprendendo a encher a bagagem só com o que nos serve, com o que verdadeiramente nos comove; com que somos capazes de reaproveitar. O resto meu amigo, vira lixo. Sem choro. Sem drama. Como parte de um processo natural. Pode ser irônico o que vou dizer, mas acredito que é a realidade que nos torna mais criativos. Aliás, ironia tem sido uma das grandes qualidades. Talvez seja uma questão de ótica, mas se pararmos para analisar veremos como o mundo é cínico. E a gente vai aprendendo a viver beirando a indiferença. Talvez seja uma maneira intrínseca de nos proteger ou até mesmo de nos auto-afirmar. O cinismo em todos os gêneros: filosófico, moral; o cinismo do dicionário e aquele que as pessoas atribuem sentido. Antístenes foi o cara quando propôs a escola filosófica do cinismo: formou a escola da independência. A independência de pensamento, a originalidade, o desprezo, a apatia as normas sociais,a anarquia. Todas filhas do cinismo. E há que ser muito corajoso para ser cínico. Pra começar, desmitificando tudo o que a sociedade condenou e julgou. A experiência vai nos mostrando que as coisas não são bem como são. As coisas possuem o peso que atribuímos e nada mais. Não existe pecado, não existe erro, não existe acerto. Não existe normas, não existe regras, não existe princípios. Nós que estabelecemos. E por fim, acabamos por viver plenamente a liberdade de reconhecer que a vida é a vida simples. Sem medo. Sem pudor, sem falsas expectativas. Somos todos cínicos. Signos. E só.


Vanessa Rossi

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