Vanessa Rossi

Da esquerda à direita; Das frases prontas aos rompantes de criatividade.

Quando a gente ama o que nos faz mal


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"Detesto as vítimas quando elas respeitam os seus carrascos." (Sartre)

O amor é um sentimento louvável e generoso. Amar nos torna melhores. Mas a grande questão em pauta é: O amor nos faz bem quando direcionamos para o bom. E quando a gente ama o que nos faz mal? Quando amar torna-se um sentimento destrutivo, o que fazer para livrar-se dele?

Nem sempre é fácil descobrir e compreender que o amor que nutrimos por certos tipos de pessoas ou coisas torna-se altamente destrutivo. Constrói-se uma relação de simbiose entre vítima e carrasco e parece que ambos alimentam-se das mesmas energias geradas de contatos desgastantes e conflituosos. Você pode amar algo que te faz extremamente mal e não se dar conta disso. Nesses casos, nos auto-sabotamos com frequência e só vamos nos dar conta do mal que estamos causando a nós mesmos quando alguém de fora nos alerta. Muitas vezes no primeiro momento, quando alguém nos chama atenção pelo comportamento excêntrico ou pelo amor que dedicamos a algo que só nos faz mal, nos aborrecemos e tendemos a nos afastar da pessoa que nos criticou. Porém, a experiência nos faz enxergar que estamos dispendendo vasta quantidade de energia com algo que parece roubar nossas forças íntimas ao invés de alimentá-las. É aí que notamos que geramos uma situação viciosa e nos perdemos para sair dela.

Amor próprio é sempre a palavra chave para abandonar todo e qualquer comportamento que nos faz mal. Metade do mal somos nós que geramos, e outra metade nós que permitimos, comprometendo nossa qualidade de vida e nossa capacidade de nos relacionar bem com os outros. Quantas vítimas não só respeitam como amam seus carrascos? Quantas pessoas não permitem viver em relações agressivas e destrutivas, pois sem essas relações parecem que elas mesmas não se enxergam como pessoas? Quantos de nós não mantemos hábitos que sabemos serem errados, mas não temos força para olvidar esses mesmos hábitos? Há várias formas de se menosprezar e uma delas é permitir. Permitir que o mal nos ocorra, ou permitir que façam de nós o que querem. Permitir relações escravizantes e doentias, permitir que nos façam mal gratuitamente. Não é nada fácil sacudir a poeira e dar a volta por cima, mas quando esse momento acontece, nos damos conta de como estávamos sendo ingênuos e como estávamos nos esquecendo de regar as flores do amor-próprio.

Não devemos respeitar o que nos faz mal. Devemos nos livrar de atitudes grosseiras de pessoas que querem nos por para baixo. Não devemos permitir que abusem da nossa boa fé, da nossa inteligência e da nossa capacidade de amar. Penso que liberdade não é fazer o que se deseja fazer, mas permitir que somente o que é bom para nós se estabeleça em nossas vidas, seja nas relações de trabalho, nas relações amorosas, nas relações de família. Que nunca nos esqueçamos que para amar o outro, primeiramente devemos fortalecer o nosso amor-próprio. Só assim estaremos prontos para oferecer o melhor de nós e receber o melhor também. Que o amor abra suas coloridas asas para sermos infinitamente felizes e melhores do que somos e nunca o contrário.


Vanessa Rossi

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