Vanessa Rossi

Da esquerda à direita; Das frases prontas aos rompantes de criatividade.

O estranho mundo dos intensos


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O estranho mundo dos intensos em uma realidade cada vez mais rasa.

Há quem diga com demasiado orgulho que é intenso. Ora, na nossa atualidade liquida, rasa, quem vai se atrever a considerar a intensidade uma qualidade? Assim, como ser ansioso, pouco ou ninguém gosta de afirmar.

No mundo dos intensos é tudo ou nada. Afirma com prioridade essa pobre aspirante a escrita que vos escreve.

Meios termos não existe. Meios afetos. Meias aspirações. Meios romances. Se é para se doar, que seja por inteiro. Que seja para se doer também. Afinal de contas "quebrar a cara" faz parte. Principalmente, para quem dá tudo de si.

Já dizia o poeta Vinicius de Moraes " A vida só se dá pra quem se deu". Pois é. Pessoas intensas tendem a entregar-se com uma certa paixão fanática em tudo que se aplicam; seja um novo projeto, um amor romântico, um trabalho, uma vocação...

Em alguns casos o comportamento "intenso" pode tender a um certo resquício patológico: Nunca se sabe até onde um intenso é capaz de chegar, através da veia dramática com que colore o mundo; porém, muito provavelmente atingirá a si mesmo e nunca os outros.

O intenso quando ama, quando odeia (percebe-se duas vertentes extremas) ele o faz com muita sinceridade e muita fidelidade a si mesmo. Antes de tudo, o intenso é um egocêntrico por causa própria.

Ninguém dá jeito nas personalidades intensas. Ninguém muda a forma com que enxergam a vida, as pessoas, o mundo ao redor. Ninguém é capaz de fazer com que um intenso não viva sua intensidade até as entranhas.

Rir muito, chorar muito, permitir-se viver como se cada momento fosse o último; Prever que a vida é breve e mais breve ainda são os instantes em que podemos ser verdadeiramente livres para nortear nossas escolhas.

É corajoso ser intenso em um mundo tão raso e superficial como o nosso. Em um mundo onde nos julgam pelas roupas que vestimos e os lugares que frequentamos. Ser intenso requer autenticidade, requer ser tachado de louco. Sim, louco! O intenso expõe a olhos nus tudo o que sente e tudo o que pensa, e a sociedade não está adaptada para receber pessoas assim.

Mas há também que jogar farpas na intensidade. Não é só flores que permeiam o caminho de uma personalidade intensa. Há que colher muita dor e muitos espinhos. Por amar demais, por se doar demais, por sentir muito. Por sofrer a incompreensão dos que, pobres de afeto, não serão capazes de entender todo esse anseio e todo esse ardor sentimental que um intenso possui.

Não faz mal. Pedras fazem parte da caminhada. Ser uma pessoa intensa não é algo que se deva orgulhar. Há que ter muita, mas muita coragem de sentir-se só. Pobre amigo, não te compreenderão. Não entenderão tua sensibilidade. Nem tua inclinação para os sentimentos mais fortes. Nem tua abnegação e tua potente energia em tudo que faz.

Esqueça! Como um beneditino, estarás sozinho quando todos propagarem o amor raso e as falsas lágrimas. Estarás só completamente no meio da multidão porque ninguém entenderá teus sentimentos e em silêncio, não poderá compartilhar a tua forma de ver o mundo, pois os outros dirão: excêntrico!

E estarás, dentro de você, cuja alma, completamente ardente, debulha-se nos dramas dos filmes, nos dramas da vida, no teu próprio drama. Tenho um segredo há contar-te: O intenso possui em si uma chama, um brilho estranho nos olhos. O brilho de quem sente. E sentir com ardor, com alma nos dias de hoje, também é um privilégio.

Portanto, confesso, felizmente ou não, eu sinto. Sinto. Sinto muito.


Vanessa Rossi

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