Vanessa Rossi

Da esquerda à direita; Das frases prontas aos rompantes de criatividade.

Somente o autoconhecimento é possível em dias atuais


Dias atrás fiquei refletindo sobre o real significado do “conhece-te a ti mesmo” do filósofo Sócrates e decidi compartilhar meu pensamento neste artigo.

Quando li a primeira vez, era bastante jovem para compreender a real extensão desse aforismo.

Hoje, porém, reflito sobre a importância do autoconhecimento e inteligência emocional, como ferramentas transformadoras, capazes de catalisar nossos melhores aspectos, emoções e aspirações. Já dizia o ditado que o mundo precisa de exemplos e não de opiniões. O autoconhecimento reflete diretamente na forma como enxergamos e lidamos com o mundo e consequentemente, com as pessoas, a partir da perspectiva que formamos ao lidar com nosso mundo interior.

Acredito que lidar com o mundo externo exige de nós sabermos lidar com o nosso mundo interno. Ambos são reflexos um do outro. Uma pessoa cujo interior é conflituoso, muito provavelmente projetará seus conflitos sobre sua atuação no mundo e as pessoas de sua convivência.

A questão primordial é: quem de nós não abriga conflitos e sombras interiores?

Vivemos em tempos céleres e febris, onde nossas relações interpessoais são diretamente afetadas e exploradas pelo contato com o mundo virtual.

Nos escondemos atrás de computadores para expressar nossas opiniões, muitas vezes agressivas.

Não toleramos a diferença. Segregamos. Somos preconceituosos. Não toleramos pensamentos e opiniões que não sejam as nossas.

É certo que a tecnologia e o digital aceleraram e multiplicaram possibilidades. Hoje é possível conversar com uma pessoa que está a quilômetros de distância através de uma conferência em vídeo. Não estou de modo algum demonizando a tecnologia.

Tenho apenas refletido se a mesma não tem acolhido nossa criança interior, com seus inúmeros conflitos internos, seus pessimismos, ansiedades e depressões.

Repito: somente o autoconhecimento é capaz de nos transcender acima disso tudo. É como estar no mundo, sem ser o mundo. E não é o sentido religioso que quero dar a essas palavras. Mas sim, o sentido transpessoal, de verdadeira libertação, que a análise de si mesmo propõe.

E como chegar a esse “estado transcendente”? há inúmeras técnicas, desde meditações, exercícios de Yoga, terapias, reflexões acerca do que podemos melhorar como seres humanos e qual contribuição podemos deixar no mundo.

Até porque mudamos o mundo, começando por mudar a nós mesmos.

Quando procuramos exercer o autoconhecimento, o que acontece no mundo exterior não nos irrita, não nos atrasa, não nos enfurece.

Porque desenvolvemos junto com o autoconhecimento a sabedoria, o pensar antes de agir, o sentimento de que de todo mal tira-se um bem.

Esse longo tempo de pandemia mundial estamos vivendo, forçaram muitos de nós a conviver com suas próprias escolhas, encararem o tempo que antes era escasso, e refletir o que estávamos fazendo com o nosso tempo.

Trabalhando loucamente e terceirizando funções que deveriam ser nossas, como cuidar da família, dos filhos, do autoaprimoramento, para “comprar necessidades” que não são reais necessidades?

Será que realmente precisamos desenvolver burnout e nos matarmos para sustentar nada mais, nada menos, do que o supérfluo? Será que precisamos estar ligados 24 h do dia nas redes sociais, esquecendo de viver o aqui e o agora, nos escondendo atrás da virtualidade tóxica que não promove além do que relações "líquidas" e superficiais?

Tenho pensado muito sobre isso, porque naturalmente faço parte de todas as questões que pontuei acima. O autoconhecimento exige um trabalho sacrificial e disposto de nossa parte. Exige abandonar o conformismo, os ganhos secundários, as “certezas”, a superficialidade, o materialismo exagerado, o apego ao que não merece nosso apego.

Só o autoconhecimento promove o bem mais valioso que nada nesse mundo é capaz de tirar: a maravilhosa descoberta do Deus interior que habita em cada um de nós.


Vanessa Rossi

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