Monique Aguiar

Feita de sonetos, riffs de guitarra e cenas de cinema. Contos aqui: https://storyjockey.wordpress.com/

Por trás das redes sociais

Trabalhar com redes sociais parece uma promessa de diversão para muita gente, mas será que você sabe mesmo como trabalham os profissionais por trás das páginas das suas marcas favoritas?


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“Eu trabalho com redes sociais”. A reação a maioria das pessoas a esta resposta é imaginar que você ganha para passar o dia inteiro no Facebook e que trabalha em um ambiente super descolado, onde grandes sacadas surgem o tempo todo. Todo bom social media sabe que não é bem assim.

Primeiramente é preciso desmistificar o ambiente das agências de comunicação. Sim, algumas são sim bem descoladas e tem uma equipe divertida. Mas isto não é regra e é apenas o lado claro da lua. A verdade é que muitos ambientes de trabalho de comunicação podem ser tão burocráticos quanto qualquer empresa engravatadinha. E não se engane, não é todo dia que você acorda de bom humor e inspirado, mas as páginas dos clientes precisam ser atualizadas nos dias em que você tem e nos dias em que você não tem boas idéias.

Depois de algum tempo convivendo com este mercado, eu começo a acreditar que a possibilidade de ir trabalhar vestido de maneira informal na verdade serve apenas para disfarçar a falta de grana de todo mundo das agências. Sim, a maioria das agências paga mal, muito mal. Eles querem que você venha de uma boa universidade, tenha bastante experiência na área, seja criativo, tenha um repertório cultural bacana, entenda de design e de métricas, mas eles estão dispostos a pagar apenas um pouco mais do que ganha um profissional que acabou de completar o ensino médio. E as horas? Não vou nem falar.

social media 2.jpg Escritório do Facebook - sonho de todo social media

Mentira, vou falar sim. Cada profissional trabalha em média por dois, e sair da agência no horário com tanta pauta para matar é quase uma missão impossível. E depois que você sai pensa que acabou? A vigilância quando se trata de redes sociais é contínua. Você precisa verificar se a programação do fim de semana entrou corretamente e é preciso estar sempre ligado para o caso de algum cliente resolver publicar aquela crítica matadora em pleno domingo.

Isso sem falar da pilha de estagiários que se acumulam nas redações. Nada contra estagiários, muito pelo contrário, o problema é o que os espera depois. A maioria das vagas de estágio nas redações são permanentes. Uma chance de efetivação é jóia rara, na maioria dos casos você só está ali barateando a mão de obra e será substituído por outro estagiário assim que necessário.

E se campanhas publicitárias sempre foram um risco grande, as campanhas nas redes sociais são mais imprevisíveis ainda. O que garante o sucesso de uma publicação? O que torna um vídeo um viral? Nem o Mark Zucheberg deve saber a resposta exata para isso.

Mas a verdade é que se você perguntar a um social media se ele faria outra coisa da vida ele provavelmente vai pensar duas vezes. E escolher a mesma coisa. Vai escolher de novo porque todo bom social media ama o que faz e quase sempre faz o que faz muito bem, obrigado.

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E nem tudo é dark na nossa lua. Ver suas criações (sim criações, para um redator cada texto é uma obra de arte) publicadas, divulgadas e representando grandes marcas é um prazer enorme. E mesmo que você não possa assinar a maioria dos seus textos cada pequena curtida é como um bombom e cada comentário é uma cartinha de amor do seu leitor direto para você.

O problema não somos nós que escolhemos viver de comunicação. Nos apostamos no que temos aptidão para fazer. O problema é o mercado de trabalho que - mesmo em uma época em que a comunicação e a geração de conteúdo tem enorme importância no valor das marcas - empurra seus redatores para a correria, para o acumulo de funções e para a frustração de ser tão mal remunerado.


Monique Aguiar

Feita de sonetos, riffs de guitarra e cenas de cinema. Contos aqui: https://storyjockey.wordpress.com/.
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