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literatura, música, cinema, artes plásticas, comportamento

Milu Leite

milu leite é jornalista e escritora

Um haicai, dois, três e zen

O haicai é milenar. Fazê-los é muito bom, ainda que você não seja Bashô nem Leminski.


O haicai é uma forma de poema muito comum no Japão, e Matsuo Bashô (século 17) foi o poeta mais conhecido a se dedicar a essa arte da escrita que privilegia a concisão. No Brasil, o escritor Paulo Leminski ajudou a difundir o haicai, criando muitos deles depois de ter escrito uma biografia sobre Bashô, na década de 80. A escritora Alice Ruiz (que foi mulher de Leminski) é também uma adepta do haicai e já lançou livro com eles. De acordo com a Wikipedia, no Japão, o haicai é tradicionalmente impresso em uma única linha vertical. No Brasil, ele é geralmente escrito em três linhas. A escrita do haicai se baseia em três pilares: a forma, o conteúdo e o kigo. A forma deve ser sempre esta: 17 sílabas, distribuídas em três linhas (5-7-5). O conteúdo deve estar ligado à concisão de uma ideia ou de um estado de espírito. O kigo diz respeito a uma estação do ano na natureza. Fazer haicais é um desafio que instiga a meditação. Olhar o mundo ao redor, entregar-se a essa viagem impregnando-se das sensações que a natureza pode despertar para então alinhavá-las a sentimentos e emoções. Talvez isso explique o poder do haicai sobre quem o faz e quem o lê.

Talvez. No mundo espelhados no trovão homens e deuses.pico nevado traba.jpg


Milu Leite

milu leite é jornalista e escritora.
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