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Milu Leite

milu leite é jornalista e escritora

Um jogo pra lá de esquisito

O Fred se joga super bem, o Neymar sacode a poeira, mas o jogo é mesmo do garoto Oscar.


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Começamos mal. Não, começamos bem. Não não, começamos, o que já foi um alívio. O Brasil venceu a Croácia ontem, por 3 a 1, depois de sofrer o primeiro gol contra numa Copa do Mundo. Me entristeceu demais ver a maldita bola bater na ponta da chuteira do Marcelo, meu jogador favorito da seleção, o que mais tenho visto jogar porque esteve nas principais finais dos campeonatos da Europa, defendendo o Real Madrid. O que eu tenho a ver com o Real Madrid é uma história à parte, que não vou contar aqui.

O Fred jogou mal, é verdade, mas ele se jogou muito bem! Tá certo, não tem graça comemorar pênalti teatralizado, mas aquele gol tinha sido tão injusto! Foi bom, foi bom dar uma bela banana para a armadilha que o acaso tinha armado com uma jogada diabólica: a distorção. Pobre Croácia. Teve de lidar com a gana da virada do time brasileiro.

Neymar fez tudo mais ou menos: o primeiro gol, a cobrança do pênalti, o cartão amarelo. Ria mais ou menos no final da partida. Eu também, porque foi um jogo muito estranho.

Mas teve o Oscar. Tem o Oscar. Não sabia nem quem era, mas quando vi o primeiro passe fui categórica: Joga muito esse garoto. Joga muito. Olha lá, outro passe. Bora, passa a bola pra ele que ele dá conta do recado. Faz barba e bigode, coçando o pé. Ri correndo. Tem olhos de águia. Viu, viu só? Olha quem lançou o Neymar neste gol, o moço já ta lá na ponta outra vez, o moleque dobrou a esquina, tem sabonete nas pernas. Foi o melhor em campo, pena que a Fifa não reconheceu isso. Esse Oscar vai brilhar. Vai ser o dono desta Copa.

Repercussão. As manchetes internacionais que me desculpem, mas não vi brócolis gigantes. Eram árvores. A índia na canoa só podia estar atada a um cinto de segurança, ou será que para legitimar o nosso primitivismo pros estrangeiros a gente tem que de deixar a índia cair do barco? Fica mais verdadeiro, é? Onde todo mundo viu pobreza, eu vi simplicidade. Vi espaços, no lugar de aglomeração. Achei a abertura, do ponto de vista estético, de bom gosto. Simples, clara e direta. Acho que receber Jennifer Lopez e o tal Pitt Bull tem a cara da Claudia Leite. Tem muito da cara do Brasil. Não tem a minha cara, mas e daí? Colei no Oscar e torci como se estivesse no estádio. Gritei a plenos pulmões.

Minha crítica vai pra Fifa, que praticamente ignorou o chute mais importante da partida, aquele que foi dado pelo rapaz que estreou o exoesqueleto do projeto Walk Again do brasileiro Miguel Nicolelis e sua equipe. Golaço registrado por uma única câmera. Que pena.


Milu Leite

milu leite é jornalista e escritora.
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