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literatura, música, cinema, artes plásticas, comportamento

Milu Leite

milu leite é jornalista e escritora

Nova espécie animal rasteja pelo país

Eles se dizem coxinhas, mas se assemelham a outras espécies. Invadem ambientes para destilar ódio, ignorância e intolerância.


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Abro o computador e logo vejo um post no Facebook que me põe em estado de profunda perplexidade: Eduardo Suplicy foi hostilizado na Livraria Cultura, em São Paulo.

Suplicy agredido verbalmente por gente que não quer ou nunca soube quem ele é. Pensando bem, ele foi hostilizado por um bando. Não de gente – não ao menos do jeito que eu ainda acredito ser uma gente --, Suplicy foi revoltantemente ofendido por um bando de animais de uma nova espécie. A cabeça é de asno, as garras são de abutre, os olhos, de leão faminto. Têm uma estatura inclassificável, porque crescem e encolhem na proporção do ódio que destilam pela língua de cobra. O cheiro, bem, o cheiro é artificial e remete a algum tipo de composição química sofisticada, mas não se deixe enganar por ele, porque ao abrir da boca, o que sai dali cheira mal, cheira muito mal.

Eduardo Suplicy, para essa nova espécie que tem rastejado por ambientes públicos a fim de contaminá-los com sua ignorância e intolerância, é algo que não tem nada a ver com o que de fato ele vem demonstrando ser ao longo da sua vida pública. Eduardo Suplicy é um político raro, é um humanista. E é honesto. Se tem uma coisa de que o Brasil precisa é de mais políticos e cidadãos como Eduardo Suplicy. Quem duvida pode fazer uma pesquisa na internet. Não vai encontrar nada, absolutamente nada que desabone o comportamento dele. Vai encontrar, isto sim, uma montanha de referências a suas boas e necessárias ações como político e cidadão brasileiro.

Então, saber que Suplicy foi verbalmente agredido dentro de uma livraria que leva o nome Cultura me deixa em pânico. No vídeo que assisti, os manifestantes gritam “Esta é a terra dos coxinhas!” com tamanho orgulho que me deu vontade de jogar todos eles numa frigideira com óleo quente. Voilà, coxinhas, já pra panela! Que vocês sirvam pra alguma coisa, já que para gente vocês não servem mesmo.

E ponto.


Milu Leite

milu leite é jornalista e escritora.
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