parágrafo

Literatura e artes

Alexandre Coslei

Alexandre Coslei é jornalista, professor e escritor premiado. Autor dos livros "Os Paralelepípedos da Vila Mimosa”, que participou do Prêmio Portugal Telecom 2010, além de um volume crítico intitulado "Os indigentes literários", uma reunião de artigos sobre literatura contemporânea que autor classifica como subversivos. Também figura em diversas antologias de contos e poesias. Complementando seu acervo, possui inúmeros artigos publicados em importantes veículos virtuais como o Jornal O Dia, Observatório de Imprensa, Folha do Meio Norte e em diversos Blogs relevantes. Alguns desses artigos foram recordistas de visualizações nos sites onde foram divulgados ou republicados. Está entre os primeiros autores que serviram de base para a criação da revista literária "Verbo", hoje não mais impressa. Como jornalista, está presente em diversas publicações polêmicas na imprensa.

CELSO CUNHA E A SIMPLICIDADE DO GRAMÁTICO

Da admiração por um mito da língua portuguesa ao encontro com a simplicidade de um homem numa livraria de um bairro carioca.


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Logo ali na frente, em 2017, estaremos comemorando os 100 anos do nascimento de Celso Cunha, lenda da língua portuguesa, um dos nossos mais renomados gramáticos, revisor e redator da nossa atual Constituição. Quando atentei para a data, fui lançado a uma lembrança remota, perdida na longínqua década de 80.

Ainda aluno do curso de Letras na UFRJ, tentei comparecer a um evento simbólico organizado pela faculdade: a última aula do professor Celso Cunha. Insisto em dizer que tentei porque o auditório transbordava de gente e eu me misturei entre as últimas cabeças que se esforçavam para enxergar a estrela da festa. Mais do que uma visão privilegiada, ficou o orgulho de dizer que estive lá.

Dias depois da aula de despedida, tive provas de como o destino é matreiro. Sempre fui um candidato a bibliófilo, um rato de sebos e livrarias. Numa dessas minhas autópsias em estantes, num fim de tarde em que me internei num sebo da Tijuca (talvez, o único que existisse no bairro naquela época), degustei do melhor tempero da vida: o inesperado.

O tal sebo ficava na rua Haddock Lobo, próximo da Alzira Brandão, hoje conhecida internacionalmente como Alzirão. Eu fuçava as prateleiras da seção de filologia quando esbarrei num senhor alto, magro e com óculos pretos de armação grossa. Apesar do esbarrão ter sido por distração minha, ele se antecipou em pedir desculpas. No mesmo instante, a dona do sebo, uma senhora simpática e comunicativa, chegou entre nós cheia de rapapés.

- Professor Celso, que bom o ver aqui – reverenciou.

O senhor ao meu lado era o próprio Celso Cunha. Fiquei cataplético por uns segundos, sem entender o porquê da presença daquele mito numa livraria de um bairro provinciano, mas tomei coragem e decidi cumprimentá-lo.

- Professor Celso, sou aluno da faculdade de Letras e assisti sua última aula no auditório. Aprendi muito com o senhor.

- Dispense o título de professor. Qual seu nome? – Ele me perguntou.

- Alexandre.

- Alexandre, você foi um dos que me ensinaram a continuar aprendendo. Obrigado.

Dito isso, ele me estendeu a mão num aperto cordial e deixou gravada em minha memória uma página que nunca se desbotou.


Alexandre Coslei

Alexandre Coslei é jornalista, professor e escritor premiado. Autor dos livros "Os Paralelepípedos da Vila Mimosa”, que participou do Prêmio Portugal Telecom 2010, além de um volume crítico intitulado "Os indigentes literários", uma reunião de artigos sobre literatura contemporânea que autor classifica como subversivos. Também figura em diversas antologias de contos e poesias. Complementando seu acervo, possui inúmeros artigos publicados em importantes veículos virtuais como o Jornal O Dia, Observatório de Imprensa, Folha do Meio Norte e em diversos Blogs relevantes. Alguns desses artigos foram recordistas de visualizações nos sites onde foram divulgados ou republicados. Está entre os primeiros autores que serviram de base para a criação da revista literária "Verbo", hoje não mais impressa. Como jornalista, está presente em diversas publicações polêmicas na imprensa. .
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