parágrafo

Literatura e artes

Alexandre Coslei

Alexandre Coslei é jornalista, professor e escritor premiado. Autor dos livros "Os Paralelepípedos da Vila Mimosa”, que participou do Prêmio Portugal Telecom 2010, além de um volume crítico intitulado "Os indigentes literários", uma reunião de artigos sobre literatura contemporânea que autor classifica como subversivos. Também figura em diversas antologias de contos e poesias. Complementando seu acervo, possui inúmeros artigos publicados em importantes veículos virtuais como o Jornal O Dia, Observatório de Imprensa, Folha do Meio Norte e em diversos Blogs relevantes. Alguns desses artigos foram recordistas de visualizações nos sites onde foram divulgados ou republicados. Está entre os primeiros autores que serviram de base para a criação da revista literária "Verbo", hoje não mais impressa. Como jornalista, está presente em diversas publicações polêmicas na imprensa.

Raízes de uma história injusta

As raízes históricas e econômicas do Brasil não sustentam a vida social do país, mas se alimentam da sua morte.


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Em uma entrevista recente ao site de jornalismo DW Brasil, o escritor Luiz Ruffato disserta que a sociedade brasileira é uma árvore sem raízes e desprovida de perspectiva sobre a sua própria história. Num trecho mais interessante, diz que o brasileiro, depois de viver uma sucessão de tiranias em seu percurso, se acostumou a governos autoritários e que até nutre uma preferência por ditaduras como solução fácil para as crises. Não é difícil ter a ousadia de discordar de tudo isso. Por mais que a ignorância viceje pelo país, a história a nossa pretensa nação é tão simplória que qualquer ignorante é capaz de intuir a sua essência, mesmo que desconheça os detalhes dialéticos. Sim, possuímos raízes e são raízes profundas. Estamos enraizados na manutenção da desigualdade que mantém uma elite preguiçosa, ostentatória e rentista. O eco histórico das nossas raízes se reflete nas favelas, nos menores de rua, nos desabrigados, nos baixos salários, nas reformas econômicas que esmagam a base para sustentar os caules apodrecidos que sustentam umas poucas flores que desabrocham sobre a miséria, sobre a desgraça alheia. Revoltas populares sempre foram dissipadas com exemplar virulência por aqui. Acredite, Ruffato, nossas raízes são fortes, profundas e quase irremovíveis.

Nossa história é um loop infinito que sempre recai no tema da corrupção, a corrupção usada como pretexto para retomar a mesma história de injustiças sociais que imaginávamos estar superando. Talvez, sejamos o único país que usa o mote do combate à corrupção para destituir governos populares e renovar a opressão contra os desfavorecidos. Precisamos aceitar que o nosso histórico é medíocre e carente de complexidade. Não temos história, temos uma bula.

Durante essas três décadas de redemocratização, após o regime militar, pelo menos em uma delas nos encontramos na possibilidade de debater a inclusão, o acesso à educação, as cotas, os direitos das minorias, a erradicação do preconceito, todos os assuntos adormecidos ou camuflados pelos anos de ditadura. O que aconteceu? Nossas raízes falaram mais alto, mostraram sua predominância, recolocaram-se no poder. Como fizeram isso? Com armas? Não. Nem, ao menos, precisaram de criatividade. Usaram a mesma palavra simples, capaz de ser assimilada, compreendida e repudiada pelo mais tosco dos cidadãos até o mais bem instruído deles: a corrupção. A diferença do atual método, em relação aos retrocessos anteriores, foi enfeitar o pavão com a legitimidade jurídica das togas de juízes e os ternos bem cortados dos promotores.

Pronto. Da noite para o dia voltamos a ser o país dos economistas, dos índices da Bolsa de Valores, das notas impostas por bancos estrangeiros, do combate à inflação, das jogatinas políticas. Tudo o mais morreu ou ficou restrito à verborragia inerte das Redes Sociais.

Ruffato, nós temos raízes, elas se alimentam de cadáveres anunciados e insepultos que sustentam meia dúzia de flores penduradas nos galhos mais altos. Nossa maior violência é desprezar a vida para preservar números e indicadores financeiros.


Alexandre Coslei

Alexandre Coslei é jornalista, professor e escritor premiado. Autor dos livros "Os Paralelepípedos da Vila Mimosa”, que participou do Prêmio Portugal Telecom 2010, além de um volume crítico intitulado "Os indigentes literários", uma reunião de artigos sobre literatura contemporânea que autor classifica como subversivos. Também figura em diversas antologias de contos e poesias. Complementando seu acervo, possui inúmeros artigos publicados em importantes veículos virtuais como o Jornal O Dia, Observatório de Imprensa, Folha do Meio Norte e em diversos Blogs relevantes. Alguns desses artigos foram recordistas de visualizações nos sites onde foram divulgados ou republicados. Está entre os primeiros autores que serviram de base para a criação da revista literária "Verbo", hoje não mais impressa. Como jornalista, está presente em diversas publicações polêmicas na imprensa. .
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