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Literatura e artes

Alexandre Coslei

Alexandre Coslei é jornalista, professor e escritor premiado. Autor dos livros "Os Paralelepípedos da Vila Mimosa”, que participou do Prêmio Portugal Telecom 2010, além de um volume crítico intitulado "Os indigentes literários", uma reunião de artigos sobre literatura contemporânea que autor classifica como subversivos. Também figura em diversas antologias de contos e poesias. Complementando seu acervo, possui inúmeros artigos publicados em importantes veículos virtuais como o Jornal O Dia, Observatório de Imprensa, Folha do Meio Norte e em diversos Blogs relevantes. Alguns desses artigos foram recordistas de visualizações nos sites onde foram divulgados ou republicados. Está entre os primeiros autores que serviram de base para a criação da revista literária "Verbo", hoje não mais impressa. Como jornalista, está presente em diversas publicações polêmicas na imprensa.

A bancarrota da prostituição carioca

Em tempos de falência econômica e política, a prostituição padece e agoniza.


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Sabendo que tenho 2 livros e alguns textos abordando o tema da prostituição, um companheiro taxista me enviou mensagem há alguns dias para me dizer que a Vila Mimosa (que serve de mote para um dos meus trabalhos) estava definhando. Cético diante da informação, decidi conferir pessoalmente e o que vi me chocou, ao mesmo tempo que confundiu.

Por anos, a Vila Mimosa, conhecida zona meretrício carioca, foi um dos territórios mais agitados e lucrativos da cidade. Algumas pesquisas indicavam que o comércio local movimentava milhões de reais por mês. Estive lá numa sexta-feira recente e o que encontrei foi um cenário de fim de festa, casas fechadas, rua vazia e esparsos frequentadores. Confirmei o que o taxista narrou. Percebi que muitas mulheres migraram para uma avenida paralela à Vila, criando um ponto de atendimento ao longo da calçada em frente ao Batalhão da Polícia Militar de São Cristóvão. Abandonaram a segurança da zona pelo desespero de conseguirem programas. Dentro da Vila, um encontro sexual de meia hora vale, em média, 70 reais. Nos anos do seu apogeu, a Mimosa foi uma das regiões mais democráticas do Rio, frequentada por trabalhadores de baixa renda, homens de classe média e estrangeiros em visita ao Brasil. Os paralelepípedos da Rua Sotero Reis fervilhavam pela luxúria e pelo lucro através do sexo. Pelo que testemunhei, o tempo de fartura terminou.

Provavelmente, a derrocada da prostituição fluminense tem relação direta com a crise econômica do Estado, com o desemprego e, em menor parte, com o momento de opressão religiosa que vivemos. Com certeza, o fator principal que está drenando a zona é a penúria do Rio de Janeiro. Ampliando a pesquisa, visitei bordéis no Centro da Cidade, encontrei a maioria deles às moscas. As grandes Termas (como são chamadas as maiores boates liberais do Rio) entraram em franca decadência. É certo que as casas de maior porte formam uma espécie de cartel da prostituição na cidade, sendo que um único cidadão é dono de pelo menos 4 estabelecimentos do gênero no circuito libertino que engloba o Centro e a Barra da Tijuca. É inevitável constatar a ganância estúpida dos cafetões, cultivam a lógica dos suicidas, preferem afundar a se adaptarem às circunstâncias.

Sendo o sexo uma necessidade universal, é ele que denuncia, na prática, o tamanho do nosso buraco social. Índices do IBGE não seriam tão precisos. Prostíbulos vazios, de homens e mulheres, demonstram como a falência é imoral.


Alexandre Coslei

Alexandre Coslei é jornalista, professor e escritor premiado. Autor dos livros "Os Paralelepípedos da Vila Mimosa”, que participou do Prêmio Portugal Telecom 2010, além de um volume crítico intitulado "Os indigentes literários", uma reunião de artigos sobre literatura contemporânea que autor classifica como subversivos. Também figura em diversas antologias de contos e poesias. Complementando seu acervo, possui inúmeros artigos publicados em importantes veículos virtuais como o Jornal O Dia, Observatório de Imprensa, Folha do Meio Norte e em diversos Blogs relevantes. Alguns desses artigos foram recordistas de visualizações nos sites onde foram divulgados ou republicados. Está entre os primeiros autores que serviram de base para a criação da revista literária "Verbo", hoje não mais impressa. Como jornalista, está presente em diversas publicações polêmicas na imprensa. .
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