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Literatura e artes

Alexandre Coslei

Alexandre Coslei é jornalista, professor e escritor premiado. Autor dos livros "Os Paralelepípedos da Vila Mimosa”, que participou do Prêmio Portugal Telecom 2010, além de um volume crítico intitulado "Os indigentes literários", uma reunião de artigos sobre literatura contemporânea que autor classifica como subversivos. Também figura em diversas antologias de contos e poesias. Complementando seu acervo, possui inúmeros artigos publicados em importantes veículos virtuais como o Jornal O Dia, Observatório de Imprensa, Folha do Meio Norte e em diversos Blogs relevantes. Alguns desses artigos foram recordistas de visualizações nos sites onde foram divulgados ou republicados. Está entre os primeiros autores que serviram de base para a criação da revista literária "Verbo", hoje não mais impressa. Como jornalista, está presente em diversas publicações polêmicas na imprensa.

O balcão das editoras

O primitivo mercado editorial brasileiro


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Há muitos anos que prefiro ser um autor de Internet a buscar editoras para publicar livros. O campo editorial no Brasil sofre de falta de profissionalismo e de absoluta ausência de ousadia empresarial. Não apostam. É um mercado primitivo, carente de agentes literários que assumam os riscos dos autores e que vejam neles um parceiro a defender.

Quando alguém que pretende publicar um livro procura uma editora grande, é mais fácil prever a resposta negativa e padronizada que receberá de volta do que qualquer outro tipo de surpresa positiva. Grandes editoras só apostam em nomes comerciais e em títulos estrangeiros. Acovardam-se diante de um autor em que não identificam repercussão, descartam a qualidade. As pequenas editoras, tão enaltecidas como opção democrática, comportam-se como gráficas, não assumem um espírito empreendedor, administram-se pela mentalidade de camundongo que não enfrenta o elefante.

Ao escritor que busca espaço no mercado, sobra apelar para as tais pequenas editoras, as famosas casas de fundo de quintal. É então que recebe a notícia de que precisará pagar para ser publicado. Perdoem-me, mas não se chama de editora uma firma que onera o autor. São intermediários de gráficas que preferem um título mais pomposo. Algumas delas não desenvolveram diretrizes específicas, agem de forma que desvaloriza um autor em detrimento de outro.

Soma-se a toda essa inaptidão uma falta de seriedade quase ofensiva. O destemido autor que envia seu original para empresas que deveriam ter a missão de publicá-lo, cometem inúmeras vezes a deselegância de nem sequer responder ao remetente. Nesse desalinho, juntam-se as grandes e pequenas editoras.

Enquanto Europa e EUA criaram uma grande rede de agentes literários com a cultura de tomar o partido do autor, no Brasil ainda vivemos uma realidade da década de 70, em que escritores embalam e enviam originais para editoras que irão ignorá-los. Aqui, os raríssimos agentes literários que atuam no mercado ainda estão mais sintonizados com as editoras do que com os autores que deveriam proteger e promover. Preferem dois best-sellers para serem lidos em cem dias, não cem títulos que tenham a perspectiva de continuarem lidos após cem anos, como já dizia Andrew Wylie (agente literário norte-americano).

A verdade é que falta empreendedorismo no mercado editorial, um setor que prefere usar a mesma estratégia de agiotas ou banqueiros. Óbvio que qualquer empresa precisa buscar o lucro ou, ao menos, a sobrevivência. No entanto, num segmento cultural como o dos livros, o maior patrimônio é a carteira de autores; sua maior propaganda é o respeito que dedica a eles. A enorme taxa de analfabetismo do Brasil e a falta do hábito de leitura que existe no país não deveria ser mote para restringir a publicação de novos títulos. Pelo contrário, deveria ser a mola propulsora que impulsiona bons autores, iniciantes ou não, forçando o crescimento da alfabetização que representasse demanda para as editoras.

Está em busca de um editor ousado? Tentando alguns canais que possam publicá-lo? Seria melhor se ficasse de boca fechada, mas não dá. Escolha pensar e existir, jamais existir para calar. Talvez, isso inspire alguns donos de editoras a imitarem a sua ousadia.


Alexandre Coslei

Alexandre Coslei é jornalista, professor e escritor premiado. Autor dos livros "Os Paralelepípedos da Vila Mimosa”, que participou do Prêmio Portugal Telecom 2010, além de um volume crítico intitulado "Os indigentes literários", uma reunião de artigos sobre literatura contemporânea que autor classifica como subversivos. Também figura em diversas antologias de contos e poesias. Complementando seu acervo, possui inúmeros artigos publicados em importantes veículos virtuais como o Jornal O Dia, Observatório de Imprensa, Folha do Meio Norte e em diversos Blogs relevantes. Alguns desses artigos foram recordistas de visualizações nos sites onde foram divulgados ou republicados. Está entre os primeiros autores que serviram de base para a criação da revista literária "Verbo", hoje não mais impressa. Como jornalista, está presente em diversas publicações polêmicas na imprensa. .
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