parágrafo

Literatura e artes

Alexandre Coslei

Alexandre Coslei é jornalista, professor e escritor premiado. Autor dos livros "Os Paralelepípedos da Vila Mimosa”, que participou do Prêmio Portugal Telecom 2010, além de um volume crítico intitulado "Os indigentes literários", uma reunião de artigos sobre literatura contemporânea que autor classifica como subversivos. Também figura em diversas antologias de contos e poesias. Complementando seu acervo, possui inúmeros artigos publicados em importantes veículos virtuais como o Jornal O Dia, Observatório de Imprensa, Folha do Meio Norte e em diversos Blogs relevantes. Alguns desses artigos foram recordistas de visualizações nos sites onde foram divulgados ou republicados. Como jornalista, está presente em diversas publicações polêmicas na imprensa.

Impostores

Século 21, o século dos impostores.


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O sucesso é um conceito que nos remete a alguma virtude exclusiva de quem o alcança. No passado pode ter sido assim, mas os novos tempos reviraram as ideias. A Internet, as Redes Sociais e a grande mídia se tornaram ferramentas fundamentais para a visibilidade de impostores e vigaristas. As duas primeiras décadas do século 21 ficarão marcadas pela ascensão da mediocridade e idolatria aos medíocres. A devoção insuspeita e perseverante do brasileiro pelas figuras banhadas em ouro, criadas pelo marketing e pela mídia, é sintoma elementar da mente colonizada, da submissão voluntária e irrevogável.

O escritor inventado, que as editoras alçam ao topo, que a televisão transforma no roteirista da vez, em geral não escreve por amor à literatura, escreve pela paixão comercial, pela fama que se descomprometeu com o conteúdo. O religioso materialista, que faz do milagre um evento vulgar e transmitido ao vivo, que se exibe como santo, jamais acreditou em qualquer divindade espiritual. Sua impostura se dá pela ganância, pela fé mercantil inabalável, pela crença no poder patrimonial. O propagador de discursos que compõe a retórica pueril da inércia para colecionar likes no Facebook e participar da disputa das subcelebridades. O capitalista da Forbes que enriquece sem fazer parte da cadeia produtiva. O intelectual que acumula títulos, mas padece na miséria filosófica. Não se pode julgar condenável aquele que busca os holofotes e o dinheiro, a depravação reprovável ocorre quando querem revestir de mérito e grandeza as intenções ordinárias.

A grande imprensa, suprema alquimista dos falsários, por muitas vezes, é a engenheira que ergue o espigão projetado pela arquitetura da fraude. Quando possuem privilégios financeiros, os próprios impostores investem na autoconstrução da publicidade que viraliza a imagem planejada. Smartphones e aparatos digitais de acesso à malha cibernética facilitaram a produção de enganadores em escala quase industrial. Sim, o charlatão desenvolve formas eficientes de expressões plastificadas e esforça-se para conseguir trilhar à fama, mas não trabalha pelo objeto que instrumentaliza, não atua pela elevação da palavra, da fé, nem do progresso. O charlatão só se dedica à ambição individual.

Na política é pior, os enganadores evoluíram para caricaturas de proporções mitológicas, personagens burlescos, orgulhosos de suas deformações hediondas. Com essa convicção pelo anti-humano, cativam milhões de mentes simplórias, deslumbradas pela perversidade. É fácil constatar que líderes de extrema direita são caricaturas do grotesco que ornamentam um projeto execrável como se fosse ufanismo original. Semeiam a cólera no campo fértil de um povo recalcado e sadomasoquista.

Embusteiros da arte se apoiam na fragilidade cultural do público, impostores da política investem na incivilidade dos eleitores. Promovem a inaptidão crítica do coletivo para permanecerem em evidência. São favorecidos por uma elite financeira que só crê no lucro como método. Apesar do cenário caótico, o pessimismo não é recomendável. Canastrões não se sustentam no palco principal. Mentes colonizadas perecem.


Alexandre Coslei

Alexandre Coslei é jornalista, professor e escritor premiado. Autor dos livros "Os Paralelepípedos da Vila Mimosa”, que participou do Prêmio Portugal Telecom 2010, além de um volume crítico intitulado "Os indigentes literários", uma reunião de artigos sobre literatura contemporânea que autor classifica como subversivos. Também figura em diversas antologias de contos e poesias. Complementando seu acervo, possui inúmeros artigos publicados em importantes veículos virtuais como o Jornal O Dia, Observatório de Imprensa, Folha do Meio Norte e em diversos Blogs relevantes. Alguns desses artigos foram recordistas de visualizações nos sites onde foram divulgados ou republicados. Como jornalista, está presente em diversas publicações polêmicas na imprensa. .
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