partículas do acaso

Ideias para dar e vender

Farley Ramos

Protótipo de escritor,poeta do anonimato,tão visceral quanto uma pena no deserto, tão poético quanto a relatividade...

Uma mortal entre os deuses

Um conto sobre como é servir de algodão entre cristais ou como foi para Pattie Boyd( uma reles mortal)ser o objeto de desejo e cobiça de nada mais,nada menos que Eric Clapton e George Harrison. De mortal à imortal musa de something e Layla ou resumindo tudo: sobre como os deuses amam e choram.


Thumbnail image for beatles_abbey_road1.jpg

Quando os deuses pisam na terra é praticamente impossível permanecer intacto aos seus efeitos.No mundo moderno de correria desenfreada o exercício de perceber algum tipo de divindade(não no conceito de entidade divina e sim no conceito de esplendor e inspiração divina) é muitas vezes negociado por longos trajetos em busca de nada.Um dos raros momentos em que pessoas cada vez mais raras se deixam tocar por momentos divinos está no ato de (de fato) escutar música. Sou um crente convicto em Deus e na minha religião não há momento de graça maior do que quando se louvam hinos em homenagem à Deus,mas mesmo que você seja um ateu ou um praticante de qualquer outra religião é fato de que dentre todas as artes aquela que parece manter um diálogo melhor com o nosso íntimo é a música. Unplugged-Eric-Clapton.jpg

E se a música é a manifestação mais divina a emanar do homem, deixemos de lado os escolhidos de sião da música erudita e falemos sobre os deuses que tocam o seu povo.A música popular,que toca nas rádios,a que ecoa nos ansiosos corações da manada corriqueira e dentre os deuses talvez a história que eu vá contar reúna as duas maiores divindades do culto da música popular: De um lado um dos integrantes do Beatles,inegavelmente a igreja católica da música popular e do outro lado Eric Clapton. Esse Thor britânico que ao invés de martelo fazia descer trovões do céu com sua guitarra e entre eles uma mortal, uma mulher que ousou provocar os deuses e pagou o preço alto de fazê-los chorar.A mais alta herege foi talvez a que com mais fé os cultuou,irônico,não?

Tudo começou quando Pattie Boyd(a herege,atriz e modelo)participou da gravação de um dos filmes dos Beatles e como se pisar no Olimpo não lhe bastasse,foi além e despertou o desejo de um de seus habitantes e veio a ocupar junto com George harrison uma cadeira no Olimpo. Sim, o guitarrista dos Beatles se apaixonou pela figurante do filme,os dois namoraram e algum tempo depois se casaram. tumblr_static_pattie_boyd_dress_8.jpeg

Entra em cena Eric Clapton(que na época ja provocava uma revolta protestante com paredes pichadas com os dizeres "Eric is god") por acaso fortuito George e Harrison se tornaram amigos inclusive com Clapton sendo uma das únicas pessoas a tocar uma faixa num disco dos Beatles: a incrível while my guitar gently sweeps.

A partir daí Clapton conhece Pattie Boyd e acaba cometendo o pecado de cobiçar a mulher de outro Deus. Após anos de investidas e com várias reviravoltas na história,entre poemas homéricos e melodias incríveis presenteadas por Harrison como em Something feita para Pattie e as obsessivas investidas amarguradas de um deus ajoelhado a seus pés feita por Clapton como em Layla a jovem mortal parecia indefesa.Ela amava muito o Beatle,mas ele se distanciava cada vez mais dela...Trancado em uma casca espiritual. Clapton por sua vez se afundou nas drogas e no anonimato por não conseguir mais tê-la e quando ele parecia sucumbir ao insuportável peso de amar... Um show, uma volta por cima,uma Pattie cada vez mais escanteada por Harrison, o pecado do adultério,o fim do casamento...Os deuses choram, cem anos de solidão para Harrison,a vida de culpa para Clapton,um coração dividido para a mortal que teve aos seus pés um Deus que não conseguia definir o que o atraía "something in the way she moves" e um que ficou por ela de joelhos...

Uma história de amor e obsessão, uma mortal entre deuses.Poemas e melodias, corações partidos e a falta de um final feliz...Uma mortal entre os deuses, traição no Olimpo.Pra nossa sorte quando os deuses choram os ouvidos mortais se encantam.


Farley Ramos

Protótipo de escritor,poeta do anonimato,tão visceral quanto uma pena no deserto, tão poético quanto a relatividade....
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/musica// @destaque, @hplounge, @hp, @obvious, @obvioushp, @obvious_escolha_editor //Farley Ramos