partículas do acaso

Ideias para dar e vender

Farley Ramos

Protótipo de escritor,poeta do anonimato,tão visceral quanto uma pena no deserto, tão poético quanto a relatividade...

A minha crítica à razão pura

Não gosto de Nietzsche, filosofia não existe, não gosto de Sócrates, só temo a morte. Não gosto de Robespierre, ele que me erre. Da revolução francesa, só sobrou uma toalha de mesa. De que me importam os filósofos com os egos maiores que os nossos? De que me vale aforismos, se prefiro o lirismo? De que me vale Platão, se penso com o coração?


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É uma verdade quase incontestável (toda verdade inquestionável é uma mentira no meu singelo ponto de vista) que o mundo está repleto de pessoas neuróticas. No fundo as pessoas são movidas a problemas. Entre nosso imediatismo paranoico e nosso instinto natural de protelação o espaço para problemas neuróticos é imenso.

Quem nunca surtou que atire a primeira pedra. Acho que a insanidade é uma condição inerente ao ser humano…Que ironia, não? Nós seres humanos nos gabamos tanto de nossa racionalidade, o que nos diferencia ao menos em tese dos outros animais com quem coabitamos o planeta e no fundo a maior virtude da nossa racionalidade é privar-nos da sanidade. A racionalidade só nos leva à loucura. A racionalidade é uma caçada tardia ao que nunca se supôs existir. Na grande maioria das vezes esse é o problema: pensar demais.

Poucas coisas boas na vida acontecem de fato quando se age de acordo com o plano (quem planejou?),quando se ligam os pontos simplesmente, quando se anda em linha reta…As curvas são sempre mais divertidas. As maiores descobertas da ciência…Do telefone ao raio x nasceram por acaso. O amor é talvez o maior expoente do quanto a racionalidade impregnada com todo o medo do acaso que ela carrega nos faz mal. O amor pleno é sobretudo um fenômeno sobre o qual recai um paradoxo: o amor só se explica deixando de se explicar. É sobretudo a convicção de que não se há convicção alguma, ama-se e ponto,mentira, ama-se sem ponto, sem vírgula, sem mas, nem porquê. Não há gramática no amor.

No entanto o maior expoente da irracionalidade humana é fruto das investidas loucas( leiam insanas o que vai gerar outro paradoxo) da razão. Quantos filósofos,bioquímicos, físicos já tentaram explicar o amor e nada mais obtiveram que frases de efeito que não surtem o efeito esperado e a frustração de saber não se saber como explicar. Muito melhor a poesia, que define o amor como inexplicável e assim explica muito mais do que complica. Algumas simplicidades aparentes são de fato misteriosas demais para o nosso entendimento.

Sempre tive um certo receio com os óculos, se a descoberta da nudez castigou Adão e Eva( o que ao contrário do que muitos pensam só prova que o pudor não é divino) acobertar nossa visão é dar adeus ao último vestígio de liberdade que nos sobra. Colocamos óculos pra nos igualar, pra vermos todos o mesmo mundo. Quantos mundos deixamos de ver quando somente enxergamos melhor? Quantos mundos melhores não deixamos de fazer tentando enxergar esse que nos foi pintado melhor? Nós não precisamos de óculos pra nossa vista cansada, nós só precisamos ver o mundo com outros olhos. Quem sabe assim nós não passamos a deixa-lo belo aos olhos de todos? dizem que a beleza está nos olhos de quem vê, que bom seria se cada um visse um mundo diferente, mas que todos tivessem a consciência de que a diferença é o que temos em comum. Quem sabe assim nossos olhos não se cansassem do mundo e os óculos não fossem mais necessários.

O pecado original é o pensamento: quando Adão e Eva se deram conta que estavam nus e o pudor se fez nascer, quando se ama e não se aceita, quando se medem (em metros, libras, quilos?) os prós e os contras…Nada de bom vem quando se pensa muito. Se o mundo flui é só seguir o fluxo, remos são desnecessário, de Einstein à Platão, que me desculpem os sábios, mas o maior pensador é de fato o coração.


Farley Ramos

Protótipo de escritor,poeta do anonimato,tão visceral quanto uma pena no deserto, tão poético quanto a relatividade....
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