partículas do acaso

Ideias para dar e vender

Farley Ramos

Protótipo de escritor,poeta do anonimato,tão visceral quanto uma pena no deserto, tão poético quanto a relatividade...

Pelo direito ao delírio!

Somos o que somos quando não sabemos o porque de sermos o que somos. Infelizmente inventaram os motivos e nos preocupamos demais com eles. Nos mandam abrir os olhos,mas olhos abertos só enxergam a luz e a luz que ilumina é a mesma que nos cega. Ah mundo, se tu soubesse que não é lá tão profundo, que só há vida na superfície saberia que melhor seria se sorrisse e deixasse tudo pra lá...Enfim...Um texto pelo direito de sonhar.


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Entre os debates presidenciais e as notícias do jornal nacional um pouco de poesia nunca faz mal. Sério, se alguém ainda guarda um pouco do carinho ao mundo que a gente tinha quando era criança esse alguém são os poetas. O mundo anda tão chato,tão real e nenhum pouco abstrato,as pessoas se preocupam demais com o que podemos tocar,com o que podemos enxergar...O corpo é o ópio da alma.

Vejo economistas,estrategistas do mercado,pensadores da sociedade,matemáticos, físicos serem considerados os grandes pensadores da humanidade e me pergunto: onde estão os caras que construíam novas cidades em guardanapos nas mesas de bar? Onde estão os caras que pregavam no deserto? O deserto continua lá...E nesse deserto em meio as ondas invisíveis de rádio e televisão nós materializamos sonhos e transformamos em bens de consumo que poucos podem consumir,transformamos em claridade a clarividência,a ficção virou ciência...Tudo se expõe demais.

Dentro do cenário de reality shows que são cada vez mais irreais é preciso lembrar que ainda há algo em nós que nos dá o direito de existir. Nós temos em nós esse fogo incandescente que querem apagar com as águas frias que nos fazem abrir os olhos. Olhos abertos só enxergam a luz,e a luz que nos ilumina é a mesma que com o tempo nos cega,melhor nos guiarmos pela poesia da alma,pelo calor humano,pelas setas dos sentimentos...

A vida é mesmo um super-tempo, um extra-tempo, é estranho como a gente se apega ao passado e pensa no futuro,mas continuamos presos no presente,parado ninguém percebe que a vida é movimento. Ah se o mundo soubesse o bem que dançar faz...Mas a gente é vergonhoso demais pra dançar sem música ou barulhento demais pra escutar o compasso,o ritmo delicado do mundo nos convidando a ser parte da festa.

Os poetas sabem que o mundo é só um detalhe, que os edifícios, as ruas calçadas, os corpos que se expõem em seus vestidos decotados nada mais são que o adorno do mundo, por isso voltam seus olhos pras pedras que lá estavam antes de tudo e lá estarão quando já tivermos ido,ah se a gente se preocupasse menos com ciência e mais com consciência...

Dizem que a depressão é o mal do século,fácil ficar deprimido num mundo de pronta entrega,onde tudo vem enlatado,encaixotado e rotulado...Onde estão os Beatles e o Pink Floyd para nos salvar? Você é de direita,você é de esquerda,você é feio,você é bonito...Ah se o mundo soubesse que a beleza de ser é não saber o que se é e simplesmente ser o que for seja lá o que isso for...

Entre tantas guerras e reivindicações que travamos e fazemos pelo motivo errado,lutemos pelo direito da única coisa que pode nos salvar de nós mesmos e não se engane,somos nossos piores inimigos,lutemos pelo que nos tiraram quando decidiram que podiam decidir o que nos tirar,lutemos pelo que os poetas querem resgatar,lutemos pra que cegados pelo mundo tenhamos um colírio, lutemos pelo direito ao delírio.


Farley Ramos

Protótipo de escritor,poeta do anonimato,tão visceral quanto uma pena no deserto, tão poético quanto a relatividade....
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