partículas do acaso

Ideias para dar e vender

Farley Ramos

Protótipo de escritor,poeta do anonimato,tão visceral quanto uma pena no deserto, tão poético quanto a relatividade...

Aos que se escondem...

Há os que se escondem, e há os que se mostram, os que amam, que se divertem, que não tem medo de ser quem são, os loucos que sabem que as coisas perdidas não vão parar na lua e que mesmo sabendo fazem questão de olhá-la todo dia com o desespero de quem sabe que algo incrível vai acontecer.Aos que se esondem a lua só é vista com um telescópio, distante de tudo, aos que se libertam é do estetoscópio que se escuta o mundo.


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Aos que se deixam iludir pelo doce veneno da existência a fuga parece de longe a saída mais simples.A verdade é que viver é dominar a arte de se emburacar em busca de ilusões perdidas e verdades que nunca se realizaram.

Quando eu era pequeno,nunca consegui parar de imaginar para onde iam todas as coisas perdidas aqui na terra. Todas as bolas chutadas para longe, as canetas que sumiam magicamente do chão, as borrachas que nunca chegavam a se acabar...Não antes de sumirem completamente das nossas vidas.Minha resposta infantil era muito simples: só podiam parar na Lua!

Com o tempo eu comecei a duvidar da minha ingênua conclusão pueril, afinal, em algum lugar elas estavam...Menos na lua. Com o tempo a minha imaginação começou a se esconder, trágico efeito de se achar que conhece mais coisas.Triste imagem é ver alguém envelhecer...A doce criança que acreditava ser dona do mundo transformada em fraca por alguma limitação que o mundo parece implantar em nossas mentes no processo do passar dos anos.

Somos apresentados a limitações, medos, fobias, desejos, anseios, somos espancados pelos punhos incessantes do mundo e pra não ceder nos escondemos. Para evitar a inevitavel queda, para não sucumbirmos ao sorriso impiedoso e debochado do mundo, que parece nos mostrar a cada golpe o quão fraco somos nós nos escondemos. Escondemos o que jhá de melhor em nós e por vezes escondemos tão bem que acabamos por perder de vez.Nossas histórias se resumem ao brilho opaco de um sorriso fingido pro mundo não desconfiar de nossas infonformidades e vamos aos poucos nos transformando em tristes caricaturas de nós mesmos.Doce dor da eterna busca.

Aos que se escondem em um ser sincronizado com o mundo resta a sensação de eterna busca.Resta o refúgio. O alcóol parece um bom companheiro aos que se escondem,pois se revelar embriagado é um pouco aceitável, não te levam a sério.Aos que se escondem resta a dor, a dor de saber que se está perdido e não se tem ideia de onde procurar, aos que se escondem resta olhar no espelho e ver um reflexo moldado das circunstâncias.

Se o céu for só uma promessa,aos que se escondem não restou nada, se há de fato um pássaro azul que canta forte dentro do peito e que as vezes no escuro solitário de noites difíceis parece bicar o lugar onde dentro do peito haveria um órgão vital aos que se escondem só resta silenciar-se a procura do canto do uirapuru.

No nosso peito bate um alvo muito fácil, o mundo sabe disso. No nosso peito bate um alvo muito fácil, um tiro certeiro, um golpe letal e estamos na lona com a contagem iniciada.

Há os que se escondem, e há os que se mostram, os que amam, que se divertem, que não tem medo de ser quem são, os loucos que sabem que as coisas perdidas não vão parar na lua e que mesmo sabendo fazem questão de olhá-la todo dia com o desespero de quem sabe que algo incrível vai acontecer.Aos que se esondem a lua só é vista com um telescópio, distante de tudo, aos que se libertam é do estetoscópio que se escuta o mundo.


Farley Ramos

Protótipo de escritor,poeta do anonimato,tão visceral quanto uma pena no deserto, tão poético quanto a relatividade....
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