partículas do acaso

Ideias para dar e vender

Farley Ramos

Protótipo de escritor,poeta do anonimato,tão visceral quanto uma pena no deserto, tão poético quanto a relatividade...

Quando éramos reis

Atlas, na mitologia grega era aquele que carregava o mundo nas costas. Uma metáfora para todo o peso da existência humana. Se alguém ao longo de sua vida conseguiu irretocavelmente imitar Atlas esse alguém foi Ali, o imparável, o honrado, o que merece uma epopeia homérica para narrar seus feitos. Na falta de um Dante ou Virgilio, dedico meu mero tempo de escritor a transformar em texto o mito! Que como Napoleão ele figure na galeria dos grandes reis!


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Nostalgia é a tendenciosa neblina que serra os olhos aos devaneios da tediosa realidade.O passado é o que tempera o presente. Tendo isto em vista tendo a acreditar que as melhores histórias são as que mesmo passadas se fazem presentes e provavelmente se perpetuarão no futuro. Algumas pessoas conseguem contar essas histórias através do artifício da ficção, outras, em suas vidas reais superam qualquer ficção do mais genial dos autores.

Talvez um senhor sexagenário seria a pessoa mais recomendada para contar a lenda, o causo, a história, o mito do semi-deus, do profeta ungido de carisma... Eu não sou um bom contador de histórias, mas minha boca saliva de vontade de contar, ou tentar contar um pouco da história de uma dessas pessoas que inspiram ou deveriam inspirar o resto da humanidade. Tal qual Hércules fazendo seus doze trabalhos, a pessoa de quem tratará a narrativa merecia seu dia de Aquiles e ter para si uma epopeia homérica e estátuas de bronze.Como a vida é amarga e dela só levamos a morte e a injustiça de sermos seres dotados de uma memória patética cabe a mim com esse texto expressar minha manifestação de ode a essa lenda.

Não tenho a menor pretensão de documentar e biografar a vida de Muhammad Ali, mas como escritor me intriga algumas idiossincrasias desse personagem peculiar, por exemplo o fato dele ter estudado balé somente para adquirir um jogo de pernas do qual ele tanto se gabava,e que o fazia pairar no ringue com uma plástica que eu nunca mais vi em nenhum atleta de nenhum esporte, mas do ponto de vista literário o que era mais incrível era sua capacidade de domesticar multidões, de tal qual um exímio orador grego deixar os seus interlocutores( sim, suas lutas eram um diálogo mudo, um espetáculo do movimento)a espera dos seus incríveis monólogos no ringue.Creio que todo Da Vinci tem sua Monalisa, então peço a liberdade de tomar como exemplo da grandeza de Ali o dia em que como Davi,derrotou o gigante Foreman, o dia em que como Alexandre da Macedônia e Gengis o Khan, Ali foi rei.

Incrível como um lutador, um pugilista coberto de músculos e exemplo da brutalidade , indelicadeza, força bruta conseguia se manter tão gracioso no ringue, ele parecia tão deus em um lugar tão animal... Era um espetáculo vê-lo derrotar todos os seus oponentes e assim sobrepujar seus ideais de vida subjugando o jogo financeiro e o bestialismo dos bastidores do boxe e do esporte em geral, sim, todos os esportistas deveriam acender velas e partirem em romaria quando Ali deixar esse mundo, quando suas luzes apagarem, não creio em um terceiro jesus passeando na terra tão brevemente, não creio em outro profeta, esse homem me ensinou com um soco não dado(aquele quando Foremam já caía nocauteado, que Ali segurou pra não desonrar a queda do rinoceronte abatido) que há sim honra na guerra.

E para um homem que me mostrou o que é lutar pelos seus ideais mesmo que isso lhe custe perder o título de melhor do mundo, eu só posso fazer em sua homenagem me achar um lixo, uma barata no esgoto, por me vender por tão pouco mesmo sem saber, como fazem todos os que lerem isso, e os que não lerem, então, Ali, quando as luzes apagarem e as cortinas fecharem, eu te lembrarei como honrado, como lutador, não como violento. Seu sangue e suor derramado não o fazem diferente de todos os demais homens, o que o faz diferente é não precisar ser diferente, eu não acredito em muitas coisas, eu não acredito em espíritos ,mas eu não acreditava em Ulisses nem em Hércules e hoje tenho certeza que Ali os derrotaria em um ringue… Super man existe e a vida é sua kriptonita , a vida te derrotou meu bom homem, a vida derrota a todos, mas se for pra sair do ringue… Que seja com honra!


Farley Ramos

Protótipo de escritor,poeta do anonimato,tão visceral quanto uma pena no deserto, tão poético quanto a relatividade....
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