passeio dos velhos

Porque a vida é feito de caminhos.

Leila Gato

Os velhos também podem ter medo

Os velhos sabem o que é sentir medo. A vida ensinou-lhes que esse mesmo medo, deve ser sentido em pequenas doses quase diárias. Como em tudo na vida, se for demais «come por dentro», se estiver em falta, é bom que comprem «medo» nem que seja engarrafado.
Assim se pensa no passeio dos velhos.


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Em Marketing ensinam-nos que as pessoas se movem mais facilmente em função da ideia de perder algo, que pela possibilidade de ganhar, seja o que for. Esta teoria, leva-nos a pensar que é o medo que faz girar a roda dos mecanismos de oferta e procura, e não o simples desejo de obter algo muito ou pouco valioso. Isto leva-nos a ainda a pensar que o medo deve ser uma sensação a banir, porque não queremos que ninguém saiba o que é que vamos querer num determinado momento das nossas vidas. Porém, o medo ensina-nos muitas coisas, e não devemos pura e simplesmente desligarmo-nos dele, e agir sem a pressão por si exercida. Um vendedor, vende produtos, e um cliente compra-os. Até aqui tudo certo. Porém, ou o cliente procura o vendedor para ele lhe fazer o seu preço, ou o vendedor corre em direcção ao cliente e mostra-lhe os benefícios desse «grandioso» produto. É neste momento que precisamos de um terceiro elemento, alguém «sem medos», e que revele ao mundo os benefícios desse produto e o quão sortudos serão caso tenham o privilégio de o possuir no mais curto espaço de tempo possível. E é aqui que entramos no terreno dos sonhos, sem nos apercebermos que pisamos o caminho do medo. Podemos perder algo muito valioso, mas que feitas as contas vale tão pouco como um punhado de areia, (e até aqui, posso estar completamente errada porque esse mesmo punhado de terra, pode ter um valor muito acrescido para alguém, se for por exemplo, um punhado de areia de uma praia em que esse mesmo alguém passou felizes momentos na sua infância). Temos de saber o que tem realmente valor para nós, para depois percebermos a partir e até onde estamos dispostos em ir. Uma pessoa pode trocar rios de dinheiro, por um beijo por dia dado pelo marido até ao final da sua vida. Em última análise, tudo depende do valor dado às coisas que se podem ganhar ou perder. O medo, deve ser sentido em pequenas doses, só assim mantemos viva a esperança de que as curas, que por enquanto ainda só são, milagrosas vão nascer do espírito de cientistas e investigadores. O medo, permite perceber que as receitas devem ser seguidas à risca, e que as asas devem voar apenas quando estiverem preparadas para tal. O medo, ensina ainda que o amor quando bate à porta, entra sem pedir com licença e instala-se... sem medos. Não há mal nenhum, em sentir medo, quer sejamos vendedores ou clientes, escritores ou leitores, caçadores ou presas. O medo, deve apenas reger em função da grandeza dos sentimentos, e apenas obedecer à vontade dos que a eles devem os seus sonhos.


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