passeio dos velhos

Porque a vida é feito de caminhos.

Leila Gato

O Domingo dos velhos

Quanto tinha dez, onze ou doze anos, li um texto numa aula de Português que até hoje se mantém na minha cabeça. O texto era sobre os Domingos, e o que sentimos quando nos deixamos abraçar pelo último dia da semana.


sunday_afternoon.jpg

Na altura, fiquei marcada por me identificar com a ideia transmitida, mas mais que isso apaixonei-me pela imagem simples que a ilustrava, e apenas ilustrava porque as imagens não têm uma função maior que essa, e não andam por aí exibir-se para «valer mais que mil palavras». Era uma imagem de uma entrada de uma casa, com carros estacionados à frente e àrvores entre essas mesmas viaturas. Pessoas? Não havia. Tal como nos Domingos da cidade. Esta tarde, dei um passeio pela Praça de Londres, eu e o meu velho, e senti que os anos tinham andando para trás. Por momentos, senti-me novamente sentada naquela secretária frente a um quadro escrito a giz. Recordo-me de ouvir a Senhora Professora a dizer que o Domingo é o dia do descanso que nos prepara para mais uma semana de desafios. Esta tarde, os velhos passeavam a sós, o passeio era todo nosso, e apenas víamos uma ou outra pessoa a caminhar, uns a passear os cães e outros simplesmente a andar e a aproveitar o sol de Inverno. Pensei e conclui que gosto mais das ruas movimentadas, mas os Domingos são uma excelente desculpa para ficar no quente do lar, a ler, a ver televisão e tudo aquilo que gostamos, mesmo sabendo que no fundo sentimos uma ponta de arrependimento por não termos posto os pés na rua e celebrar o momento. Nisto, lembrei-me de um passeio por Coimbra há mais ou menos um ano, também com o meu velho, e da cidade que estava a sós com os turistas de início de ano. Domingos são dias de paz e sossego, de reinvenções, arrumações, descanso e mais importante que tudo, é o dia em que independentemente do que estejamos a fazer, deverá ser feito na perfeição, e a perfeição é ajustável às nossas expectativas.


version 1/s/// //Leila Gato