passeio dos velhos

Porque a vida é feito de caminhos.

Leila Gato

Os velhos e os amigos

«Somos amigos das pessoas com quem fazemos alguma coisa, tanto como somos amigos de quem é parecido connosco. Por outras palavras não andamos à procura de amigos. Associamo-nos com pessoas que ocupam os mesmos pequenos espaços físicos que nós.»

A chave do sucesso, Malcom Gladwel


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Ao ler o parágrafo anterior, não pude deixar de reflectir durante alguns minutos e percebi que tinha aqui um excelente ponto de partida, ou mais não seja, um óptimo desbloquador de conversa com amigos menos chegados. (Não coloquei a palavra «amigos» entre aspas na frase anterior porque eles são mesmo meus amigos, independentemente do grau de intimidade). Afinal quem são eles? Será que nos ajudam a definir a nossa personalidade, ou somos nós que definimos os tipos de amigos que temos? Tenho alguns amigos. Não muitos, felizmente, porque prezo o meu tempo e o meu espaço. Se pensar em todos os meus amigos percebo algumas questões inegáveis. A primeira: faço em média um bom amigo por todos os lugares que passo. A segunda: faço mais amigos sempre que consigo ser mais eu mesma (e aqui, também podia chegar a novas conclusões, já que acredito que somos aquilo que queremos ser onde quer que seja, e com que for). A terceira: o número de amigos é proporcional ao número total de pessoas que estão no mesmo local que eu, desde que estejamos todos a fazer algo em conjunto. A quarta: continuo a precisar de tempo e espaço em deterimento de todos meus amigos. A quinta: os meus amigos em nada têm a ver comigo, ou seja, todos eles são totalmente diferentes de mim, com gostos e profissões distintos dos meus, e apenas somos «parecidos» quando o sol se começa a pôr e a sombra mostra que pode ser tão ou mais importante que a luz. Com isto concluo que gosto muito dos meus amigos, mas não deixo de precisar de tempo e espaço para mim e para outros amigos.


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