A segunda vida de John Cooper Clarke

Depois de muitos anos de afastamento, John Cooper Clarke parece ter renascido das cinzas. Com a mesma aparência de sempre, que mistura a elegância do jovem Bob Dylan, com o desmazelo de Ronnie Wood, Clarke está disposto a recuperar o seu lugar entre os poetas mais queridos e mais importantes da Grã-Bretanha.


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O documentário «Evidently John Cooper Clarke», emitido pela BBC4 fez renascer a lenda. Com a agenda preenchida e os espectáculos esgotados, Clarke regressou às actuações ao vivo com uma digressão de Outono e a promessa de um novo livro em 2012.

Nascido em 1949 em Salford, Lancashire, Clarke teve uma infância discreta e aderiu ao movimento mod durante a adolescência. Depois de ter experimentado diversas profissões — aprendiz de engenheiro, assistente de alfaiate, e técnico de laboratório — e de ter passado uma temporada em Dorset, John iniciou a carreira artística, em Manchester, trabalhando em cabarés e pubs duvidosos.

A poesia satírica sobre a vida quotidiana e o estilo musicado com que a dizia encontrou no movimento punk, que começava a surgir na Grã Bretanha, o seu paraíso. O seu nome começou a figurar em muitos cartazes ao lado de bandas como os Sex Pistols, The Clash, Buzzcocks, The Fall ou Elvis Costello.

No final da década de 1970 e início de 1980, Clarke era uma figura de culto no meio underground. Tornou-se no “Poeta Punk”, atraindo multidões que deliravam com a sua aparência e com as suas actuações, que incluíam temas retirados dos seus quatro álbuns de estúdio (Snap, Crackle and Bop, o seu álbum de maior sucesso, chegou a atingir o lugar 26 do top de vendas do Reino Unido).

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O declínio do punk coincidiu com o desaparecimento de Clarke, perdido na heroína que só viria a largar no início da década de 1990. Sem gravar, sem escrever e sem dinheiro, as décadas passaram fazendo com que o grande público o esquecesse, mas a sua obra continuou a influenciar muitos jovens, que entretanto se tornaram músicos.

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O renascimento do punk, ao longo dos últimos anos, fez com que muita gente descobrisse a obra de John Cooper Clarke com mais de trinta anos de atraso. Renascido das cinzas, Clarke voltou a escrever e a apresentar os seus novos poemas ao vivo, lado a lado com os mais antigos como «Beasley Street» e «Evidentently Chickentown».

Três de seus poemas fazem parte do programa do ensino secundário inglês, incluindo o censurável «Twat», e a sua poesia é estudada em muitos cursos do Reino Unido e da Irlanda o que garantirá a imortalidade da sua obra.


version 1/s/música// @destaque, @obvious //Hugo Ferro