O documentário "Evidently John Cooper Clarke", emitido pela BBC4 fez renascer a lenda. Com a agenda preenchida e os espectáculos esgotados, Clarke regressa às actuações ao vivo com uma digressão de Outono e a promessa de um novo livro ainda este ano.
Nascido em 1949 em Salford, Lancashire, Clarke teve uma infância discreta e aderiu ao movimento mod durante a adolescência. Depois de ter experimentado diversas profissões — aprendiz de engenheiro, assistente de alfaiate, e técnico de laboratório — e de ter passado uma temporada em Dorset, John iniciou a carreira artística, em Manchester, trabalhando em cabarés e pubs duvidosos.
A poesia satírica sobre a vida quotidiana e o estilo musicado com que a dizia encontrou no movimento punk, que começava a surgir na Grã Bretanha, o seu paraíso. O seu nome começou a figurar em muitos cartazes ao lado de bandas como os Sex Pistols, The Clash, Buzzcocks, The Fall ou Elvis Costello.
No final da década de 1970 e início de 1980, Clarke era uma figura de culto no meio underground. Tornou-se no “Poeta Punk”, atraindo multidões que deliravam com a sua aparência e com as suas actuações, que incluíam temas retirados dos seus quatro álbuns de estúdio (Snap, Crackle and Bop, o seu álbum de maior sucesso, chegou a atingir o lugar 26 do top de vendas do Reino Unido).
O declínio do punk coincidiu com o desaparecimento de Clarke, perdido na heroína que só viria a largar no início da década de 1990. Sem gravar, sem escrever e sem dinheiro, as décadas passaram fazendo com que o grande público o esquecesse, mas a sua obra continuou a influenciar muitos jovens, que entretanto se tornaram músicos.
O renascimento do punk, ao longo dos últimos anos, fez com que muita gente descobrisse a obra de John Cooper Clarke com mais de trinta anos de atraso. Renascido das cinzas, Clarke voltou a escrever e a apresentar os seus novos poemas ao vivo, lado a lado com os mais antigos como "Beasley Street" e "Evidentently Chickentown".
Três de seus poemas fazem parte do programa do ensino secundário inglês, incluindo o censurável "Twat", e a sua poesia é estudada em muitos cursos do Reino Unido e da Irlanda o que garantirá a imortalidade da sua obra.
Comentários
Os comentários a este artigo são da exclusiva responsabilidade dos seus autores e não veiculam a opinião do autor deste site sobre as matérias em questão.
Deixe o seu comentário
O e-mail é obrigatório mas não será mostrado no site ou cedido a terceiros. Seja cordial e educado. Comentários ofensivos ou pouco dignos não serão publicados.