pausa para um café

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Filipe Ramos

Ator que nunca atuou, pintor que nunca pintou, músico que nunca compôs, fotógrafo que nunca fotografou, cineasta que nunca filmou, escritor que nunca publicou.

Feliz 2015

Não, eu não errei o ano no título do artigo, eu realmente digo feliz 2015, você deve estar se perguntando por quê? Bom, por que 2015 foi um ano que não acabou, ele chegou e nos jogou na cara todas as nossas falhas e disse "lide com isso", e você acha justo que ele vá embora dia 31 de dezembro tranquilo, como chegou? Eu não acho, se eu vou sofrer as consequências, ele vai levar a culpa junto comigo.


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2015 foi um ano que me mostrou o quanto eu era preconceituoso, e eu só pude perceber isso me revoltando com a falta de respeito com as diferenças existentes em nós, eu percebi o meu preconceito me envergonhando com a atitude de pessoas que não tinham vergonha de expressar seus pensamentos ocultos contra negros, homossexuais, transexuais, enfim, todas as pessoas diferentes do comum, comum esse que se parar para pensar é incomum numa sociedade composta de indivíduos com particularidades, desejos e cores próprias e individuais que tornam nossa existência tão linda. Assim 2015 começou a me ensinar a não perceber essas diferenças e conviver com elas de forma natural, e sim, a defender e não ter medo de expressar minha opinião quando alguém espalha a intolerância pelo mundo.

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2015 foi o ano me mostrou o quanto eu era machista, e eu pude perceber isso observando as mulheres ao meu redor, irmãs, primas, tias e principalmente sobrinhas, ver aquelas pequenas mulheres chegando ao mundo terem que ser moldadas aos pensamentos masculinos para poderem sobreviver e minimizar os riscos de crescerem no mundo machista que vivemos. Se preocuparem com as roupas que vão usar para não sofrerem abuso, se esforçar ao máximo para serem competitivas no mercado de trabalho, e ainda agradecerem os maridos, sim maridos, pois para serem plenamente felizes tem que constituir uma família, pela ajuda na criação dos filhos, como se isso fosse um favor que os homens bons fazem. E isso me deu vergonha, senti vergonha dos meus pensamentos, senti vergonha de como eu agia na minha adolescência, senti vergonha de ser homem, mas aprendi a enxergar o mundo de outra forma e entender a importância do feminismo.

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2015 foi o ano que me fez questionar ainda mais a religião, e eu pude perceber isso observando a intolerância religiosa no mundo, vendo crianças serem apedrejadas por serem do candomblé, mulheres e filhos espancados por serem mulçumanos, a intolerância espalhada por lideres religiosos que possuem cargos de poder no congresso de um estado laico, e eu senti vergonha de ter sido religioso um dia, senti vergonha quando o papa que veio para reformar a igreja católica, como a salvação por todos males causados por ela defende o direito de uma tabeliã recusar o casamento de pessoas do mesmo sexo na nação onde o amor venceu em 2015, justificando o direito de recusa a violação da consciência humana, o líder de uma igreja que prega o amor ao próximo deveria repudiar o ato de impedir duas pessoas que se amam buscarem a felicidade.

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2015 foi o ano que me tirou totalmente da minha zona de conforto, me fez enfrentar meus demônios e me ensinou a ser um ser mais humano, compreendi as lutas das minorias e senti vergonha da necessidade da, questionável, maioria expressar seu orgulho, orgulho hetero, orgulho branco, orgulho cristão, se impondo como vítimas de um mal causado por nós mesmos que não percebemos que no fim todos somos parte de uma certa minoria e estamos fadados a sofrer algum ato de intolerância, basta um outro apontar o dedo para sua diferença e acusar de ser uma aberração.

Enfim, 2015 vai ser aquele ano que nunca vai ter fim.


Filipe Ramos

Ator que nunca atuou, pintor que nunca pintou, músico que nunca compôs, fotógrafo que nunca fotografou, cineasta que nunca filmou, escritor que nunca publicou..
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