pauta para o chá das 4h

Divagações, suspiros, biscoitos, fumaça e devaneios...

Bruna Regina Pietta Abrahão

Uma pequena transgressora

Juventude - A nostalgia de Ingmar Bergman

"O filme mais bonito de Bergman. Eu adoro Juventude"
(Jean-Luc Godard)


Durante o ensaio para um espetáculo a bailarina Marie, recebe uma correspondência que contém dentro o diário em que ela costumava escrever na sua adolescência.

Diante do fato, uma cadeia de acontecimentos voltam à memória de Marie, e junto dela nós somos levados para um tempo em que nos julgávamos bonitos e imortais. Vida e amor desabrochando com o nascer do sol em nossa janela. Era verão, e Marie era jovem.

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Foi durante as férias daquele verão que Marie conheceu Henrik. O garoto por quem ela logo se apaixonaria e se entregaria a um amor romântico e ingênuo que só podemos experimentar uma vez.

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Bergman reascende nossas utopias. Um dia já fui Marie. Você já foi Henrik. Descobrindo o amor e o prazer em uma tarde quente num cenário doce e bucólico. Compenetrados um no outro. Intensos. Proferindo juras. Em transe.

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O que desfez esse cenário? Qual foi o mal que nos acometeu? Qual peste incapacitou nosso coração de amar novamente dessa forma inocente?

Marie perde Henrik. Assim de súbito. De uma maneira cruel e estúpida. Seus sonhos estão desfeitos. É o fim de sua juventude. Sua onipotência é derrotada pela evidência concreta de que tudo terá o seu fim.

Do sentimento de vazio e descrença, nasce em Marie a revolta.

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Mas essa aos poucos vai se apaziguando pelo conformismo alcançado com a “maturidade”. Marie aprende a erguer muros e, assim se sente protegida até o dia em que tal diário cai novamente em suas mãos. A bailarina incansável é forçada a pensar em quem ela se tornou. E ao se encarar no espelho Marie chorou. Seu muro quebrou. Ela descobre que não é forte o suficiente para manter a posição de mulher impenetrável. Decide falar sobre si, e num gesto de confiança entrega ao novo amante o seu antigo diário.

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Marie deseja compartilhar sua existência. Já que é nessa troca que se encontra a possibilidade da permanência.

Em Juventude, Bergman se mostra otimista quanto as probabilidades de persistência do amor. Na ponta dos pés a bailarina dança ao encontro de seu novo par para beijá-lo. Um beijo de reconciliação com o amor, com a expectativa do sonho e consigo mesma.

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Bruna Regina Pietta Abrahão

Uma pequena transgressora.
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